ONS recomenda mais investimentos
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de março de 1999
Fernando Godinho Agência Folha 
As deficiências e fragilidades do sistema elétrico brasileiro, reveladas pelo blecaute que atingiu os dez Estados e o Distrito Federal na última quinta-feira, estão sendo levantadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A Folha de S. Paulo apurou que o ONS recomendará o
aperfeiçoamento dos mecanismos de proteção do setor elétrico e ressaltará a necessidade de investimentos que garantam uma maior confiabilidade para o sistema.
O levantamento foi determinado na última sexta-feira pelo ministro
Rodolpho Tourinho (Minas e Energia), que receberá hoje um
resultado parcial do trabalho. Os técnicos do ONS passaram todo o
fim de semana envolvidos com esse trabalho.
Apesar do blecaute da última quinta-feira ter sido provocado por um raio, conforme versão do governo, as autoridades públicas e privadas
responsáveis por políticas energéticas consideram o setor elétrico frágil. De imediato, teremos de redimensionar os sistemas de proteção que existem atualmente no País, disse ontem à reportagem o presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, que considera essa iniciativa um trabalho preventivo para evitar novos blecautes. Temos de discutir alterações na administração do sistema, afirma Mário Santos, diretor-presidente do ONS (entidade privada que é responsável pela gestão do sistema elétrico brasileiro).
Segundo o governo, a descarga elétrica provocada pelo raio que atingiu uma subestação de Bauru (SP) na última quinta-feira foi superior à capacidade dos sistemas de proteção, o que causou a queda de linhas de transmissão e, consequentemente, o desligamento de usinas hidrelétricas. Os resultados do estudo do ONS também servirão para o ministro Rodolpho Tourinho dar sua palavra final sobre a nova versão do plano decenal de
expansão do setor elétrico (válido para o período 1999/2008). A versão original, segundo Firmino Sampaio, prevê a necessidade de R$ 8
bilhões por ano em investimentos públicos e privados. Desse total, a
Eletrobrás só garante R$ 3,33 bilhões (ou 41,62% das necessidades). O restante terá que vir da iniciativa privada. O maior problema do setor elétrico está relacionado com o financiamento aos projetos de expansão. Os investidores querem um retorno mais rápido para compensar os juros altos, avalia o presidente da Eletrobrás.
O levantamento preparado pelo ONS conta com a participação de técnicos da Eletrobrás. A entidade privada que assumiu o controle do setor elétrico há 15 dias só absorverá integralmente as funções do GCOI (Grupo Coordenador de Operações Interligadas) no próximo dia 26.
O GCOI está subordinado à Eletrobrás, e sua coordenação continua sendo
exercida por Mário Santos, atual diretor-presidente do ONS. Santos disse à Folha de S. Paulo que, por enquanto, apenas a operação diária do sistema está sendo totalmente desempenhada pelo ONS. A comercialização e o planejamento diário e mensal da energia consumida no país continuam sendo feitos pelo GCOI.


