Rio, 15 (AE) - O diretor-presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário Santos, admitiu hoje que investimentos poderiam ter reduzido o tempo de restabelecimento do sistema após o blecaute da última quinta-feira, que atingiu dez Estados e o Distrito Federal. Segundo ele, o problema está na confiabilidade do sistema. "O tempo de normalização tem de ser menor", afirmou. "Estamos fazendo estudos para identificar os pontos críticos onde seria necessário um reforço de investimento". Santos ressaltou, porém, que seria impossível impedir o desligamento do sistema, resultante de um curto-circuito provocado, segundo o governo, por um raio na subestação de Bauru. Entre as obras necessárias para tornar o sistema mais confiável, destacou a inauguração da terceira linha de transmissão em 765 mil volts (kV) do sistema de Itaipu, e da linha de 500 kV que liga Tijuco Preto a Angra dos Reis, ambas previstas para novembro.
De acordo com ele, o caso do Rio é um dos mais problemáticos: o Estado é carente de geração própria e precisa comprar 70% da energia que consome. Outra proposta que reduziria o tempo de normalização é a construção de usinas térmicas. De acordo com o executivo, a interrupção do fornecimento de energia no Rio e no Espírito Santo chegou a 93%, contra 77% em São Paulo
70% em Santa Catarina, 66% no Rio Grande do Sul, 43% no Paraná, 40% no Mato Grosso, em Goiás e no Distrito Federal, 90% no Mato Grosso do Sul do Sul e 25% em Minas Gerais. Relatório - O diretor-presidente do ONS disse que entregará amanhã (16) à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), ao Ministério de Minas e Energia e às empresas associadas ao ONS o relatório definitivo sobre as causas do blecaute de quinta-feira. Santos informou que os consumidores que se sentirem lesados pelo blecaute devem procurar as empresas distribuidoras em seus Estados. "Esse é um problema jurídico que não cabe à ONS".
Ele contestou a argumentação do gerente-regional da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), Hamilton Spagolla, de que o curto-circuito provocado pelo raio não seria suficiente para provocar o blecaute. "É uma visão dele, que não corresponde à oficial", afirmou. "O relatório da Cesp trouxe os dados que permitiram chegar a essa conclusão".

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