Ney de SouzaOs irlandeses Oona e Diarmuid e o paulistano Luciano enfrentam a caminhada de mil metros até o MarcoO avaliador imobiliário paulistano Luciano Carneiro Lobo, de 32 anos, viaja pelo Brasil a negócios. Mas não perde a oportunidade de retornar às cidades que mais gosta para fazer turismo. Em março, Lobo visitou Foz do Iguaçu pela quarta vez. Hospedou-se no Albergue da Juventude, no distante bairro de Remanso Grande. Sem carro, teve que utilizar os ônibus urbanos para se deslocar.
Como Luciano, os turistas que vêm à cidade para conhecer os pontos turísticos de ônibus não contam com um serviço adequado. Para chegar ao Marco das Três Fronteiras e a Hidrelétrica de Itaipu, por exemplo, o visitante tem que caminhar um longo trecho a pé. A parada mais próxima de Itaipu fica a cerca de 400 metros. No Marco a situação é pior: o usuário enfrenta mil metros de terreno acidentado.
A Foztrans (autarquia municipal responsável pelo sistema viário) alega que os locais não comportam paradas para turistas. ‘‘A demanda é baixa e poderia comprometer a qualidade do serviço para o usuário comum’’, analisa o diretor de Trânsito e Sistema Viário da empresa, José Ferreira dos Santos. ‘‘A ausência da oferta reprime a demanda. As pessoas nem indicam as duas atrações para quem usa apenas ônibus’’, discorda Luciano Lobo.
O casal de irlandeses Diarmuid Cunningham, 27 anos, e Oona O’Shea, 31, decidiram visitar os dois pontos depois de conversas com outros turistas. ‘‘No nosso guia de viagens não constavam esses locais’’, lamenta Cunningham. Oona acredita que as atrações não aparecem por não serem servidas adequadamente por transporte coletivo. ‘‘É um guia de turismo para quem usa ônibus’’, lembra.
Ainda este ano, a Foztrans deve reformular o sistema de transporte coletivo da cidade. Uma das prováveis novidades é um serviço especial para turistas. A idéia é que um veículo (van ou microônibus) leve o usuário do ponto de ônibus mais próximo até Itaipu e ao Marco das Três Fronteiras.
Linha TurísticaO diretor de Marketing da Foztur (órgão oficial de turismo do município), Luiz Antônio Rolim de Moura, diz que a cidade poderia ampliar o número de linhas turísticas. ‘‘Até já sugerimos à Foztrans uma linha que percorresse todas as atrações em uma única viagem’’.
Para Rolim, Foz do Iguaçu tem uma demanda suficiente para esse serviço. A Foztrans é mais cautelosa: ‘‘O serviço com os veículos especiais será um teste. Se for aprovado, abre caminho para uma linha unificada’’, afirma Santos.

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