Rio - Duas horas depois de o secretário da Segurança Pública do RJ, coronel Josias Quintal, dar o ultimato para a prisão dos responsáveis pelo ataque de segunda-feira a um microônibus da PM, criminosos desafiaram mais uma vez a polícia e incendiaram um ônibus na Linha Amarela, uma das principais vias da cidade, a cerca de 800 metros do Batalhão de Policiamento de Áreas Especiais, na Favela da Maré, onde Quintal dera a entrevista.
O ataque aconteceu por volta de meio-dia, na pista sentido Barra da Tijuca. Enquanto o ônibus da Viação Breda, linha 945 (Pavuna-Ilha do Fundão), queimava, houve rápida troca de tiros entre PMs e criminosos.
A Linha Amarela ficou interditada por cerca de uma hora. Os passageiros do ônibus conseguiram escapar, mas a cobradora Sônia Maria Apolinário de Souza, de 54 anos, sofreu queimaduras de segundo grau na perna esquerda e está internada no Hospital Geral de Bonsucesso.
Desesperados, muitos motoristas fugiam na contramão. Helicópteros com atiradores de elite sobrevoaram a Vila dos Pinheiros e o Morro do Timbau, que foi cercado por policiais, à procura dos responsáveis. Até o início da tarde, ninguém havia sido preso.
A cobradora contou que o ônibus foi atacado por três menores e um adulto, depois de parar no ponto que fica na frente do Timbau. Segundo ela, os criminosos mandaram os passageiros descerem antes de iniciar o ataque, com coquetéis molotov.
No início da manhã, após uma reunião de emergência com a cúpula da segurança pública, Quintal havia dito que o ataque dos traficantes ao microônibus da PM não ia ficar impune e deu um ultimato para a polícia: os traficantes responsáveis pela emboscada devem ser identificados e presos até domingo. O chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins, afirmou que o ataque pode ser uma represália à prisão de um traficante da facção Terceiro Comando, que domina a venda de drogas na Maré. E disse ainda ter informações de que ''o tráfico está insatisfeito com a instalação do Batalhão no Complexo da Maré''. Há um mês, segundo Lins, os conflitos na área têm aumentando por causa de uma disputa entre dois traficantes do TC.
No ataque ao microônibus que transportava 20 PMs, o motorista foi atingido por cinco tiros e perdeu o controle do veículo, que caiu numa vala. O policial ficou preso nas ferragens, de onde foi retirado por bombeiros. Outros três PMs foram baleados e dois sofreram escoriações no acidente. Ontem, dez bombeiros trabalharam para retirar o microônibus do valão, com o auxílio de um guindaste.
A Autodiesel informou hoje que vai transportar a carcaça do ônibus queimado pelas ruas da cidade, em protesto contra os 267 ônibus que, segundo a empresa, foram destruídos no Rio nos últimos quatro anos.

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