Curitiba - Florestas, recifes de corais, mangues têm preço? Para cientistas e especialistas da área, sim. O valor financeiro dos serviços ambientais e o quanto eles poderiam ser rentáveis, se preservados, contribuindo, inclusive, para a erradicação da pobreza, são questões que, também, estão sendo tratadas na COP-8. O apelo da relação econômica entre meio ambiente e desenvolvimento sustentável pode servir de estímulo para a adoção de políticas que contribuam para a redução da perda da taxa de biodiversidade: alvo principal das discussões da conferência.
Segundo o porta-voz do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Nick Nuttal, um estudo sobre os recifes de corais do Caribe, por exemplo, mostrou o mercado de peixes ornamentais e de peixes para alimentação movimenta cerca de US$ 300 milhões por ano. A preservação desse ecossistema, no entanto, e a exploração do turismo ecológico renderia a expressiva cifra de US$ 2,2 bilhões.
Organizações não-governamentais (ONGs) ambientalistas defendem, também, a melhor gestão e ampliação das áreas protegidas por entenderem que essa é a forma mais eficaz de reverter a perda de biodiversidade. Um dos entraves para avançar nessa questão é a escassez de recursos financeiros. Documento assinado por 20 ONGs, propondo a criação de novo mecanismo de financiamento e formas de implementar ações, foi entregue ao secretariado-executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB).
De acordo com o consultor político do Greenpeace internacional, Martin Kaiser, cientistas estimaram que seriam necessários US$ 25 bilhões por ano para estabelecer uma rede global de áreas protegidas. A demanda de países desenvolvidos seria de US$ 4 bilhões. O valor aplicado, atualmente, segundo a ONG, é de US$ 10 bilhões US$ 7 bilhões pelos governos e US$ 3 bilhões originários do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), o que representa 40% do montante necessário.
Para estabelecer um novo fundo de financiamento, as ONGs propõem como alternativa a criação de impostos internacionais que incidiriam, por exemplo, no comércio de madeira que, segundo Kaiser, movimenta US$ 200 bilhões por ano. ''Zero vírgula um por cento desse valor já ajudaria na implementação da CDB'', ponderou. Outros exemplos de tributação seriam sobre a emissão de carbono por atividades econômicas, como transporte terrestre e aviação, e sobre a circulação de moedas entre os países.
Para reforçar a argumentação de que os países teriam condições de ampliar os recursos para áreas protegidas, o Greenpeace apresentou outra estimativa. Segundo levantamento da ONG, o agronegócio e a indústria extrativista recebem US$ 29 bilhões por mês em subsídios, que eles consideram ''mortais'' pelo potencial de degradação que esses setores representariam para a biodiversidade.
Outra preocupação dos ambientalistas é com a sinalização dos Estados Unidos em reduzir, pela metade sua contribuição para o GEF. Em 2006, o valor já foi reduzido para US$ 80 milhões, contra os US$ 107 milhões investidos no ano passado, e a intenção é chegar a US$ 56 milhões, em 2007. O receio é que isso abra brecha para outros países também reduzirem suas contribuições.

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