ONGs se preocupam com bem-estar animal
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segunda-feira, 05 de abril de 2004
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Conscientizar a população, através de campanhas, sobre a posse responsável de animais de estimação, qualificar professores e profissionais dos centros de saúde para atuar nesse trabalho e fazer amplas campanhas de vacinação e de esterilização dos animais. Só com medidas como essas será possível acabar com o problema de maus-tratos e abandono de animais nas ruas das cidades.
Essas soluções foram apontadas por representantes de organizações não-governamentais de defesa dos animais, Ministério Público, médicos veterinários e representantes do poder público, que participaram ontem do ''1º Seminário Sul-Brasileiro de Bem Estar Animal''. O evento, organizado pelo Movimento S.O.S. Bicho de Proteção Animal do Paraná, Instituto Ambiental Ecosul de Santa Catarina e World Society for the Protection of Animals (WSPA), que em português significa Sociedade Mundial de Proteção aos Animais.
''Há anos o controle das zoonoses (doenças transmitidas por animais) é feito em todo Brasil através da captura e o extermínio dos animais que vivem nas ruas. Se o método não deu resultado até agora é porque ele não adianta'', explica Elisabeth Mac Gregor, representante da WSPA no Brasil. De acordo com ela, a Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza essa nova metodologia, mas ainda é preciso que o Ministério da Saúde encampe a mudança e recomende aos centros de zoonose de todo País que adotem novas formas.
Dados do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da Prefeitura de Curitiba mostram que em 2003 foram apreendidos 6.218 cães nas ruas da cidade. Destes, apenas 953 foram liberados pelos donos e 679 foram doados, enquanto 3.997 sofreram eutanásia. ''Um dos problemas é que só 5% a 10% dos animais são resgatados pelos proprietários'', diz o coordenador do CCZ, Eric Koblitz. Segundo ele, além desses, no ano passado o Centro também recolheu, a pedido dos donos, mais 10.507 em residências. ''A maioria é cachorro doente mas há casos em que a pessoa nos chama para sacrificar o animal só porque está velho ou porque querem viajar e não tem onde deixar o animal'', conta.
Curitiba tem hoje, segundo a Secretaria de Saúde, cerca de 235 mil cães, sendo que 92 mil vivem pelas ruas. Além de estarem sujeitos a maus-tratos, eles também representam riscos à população, uma vez que reviram lixo, transmitem doenças, causam atropelamentos, afirma a presidente do Movimento S.O.S. Bicho, Rosana Vicente Gnipper. Ela lembra, ainda, que em Curitiba são registradas aproximadamente 9 mil mordeduras por ano, o que significa custos para o serviço público de saúde.


