ONGs se mobilizam contra Paula
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domingo, 11 de maio de 1997
Ronaldo Soares Agência Estado 
RIO - Entidades de defesa dos direitos humanos começam hoje uma mobilização pela condenação de Paula Thomaz, acusada de participar do assassinato da atriz Daniella Perez. Representantes das ONGs Mães de Acari, Mães da Cinelândia, Centro Brasileiro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (CBDDCA) e da Casa da Paz (de Vigário Geral) vão se reunir às 14 horas em frente ao Tribunal de Justiça.
Os panfletos terão uma fotografia da atriz, assassinada em 28 de dezembro de 1992, ao lado de mensagens pedindo justiça. Os manifestantes prometem repetir a distribuição de material amanhã. Para quarta-feira, data prevista do julgamento, está programado um ato que deve reunir cerca de 500 pessoas na porta do Fórum, de acordo com os organizadores.
Segundo a advogada Cristina Leonardo, coordenadora do CBDDCA, a manifestação de quarta-feira vai contar também com o apoio de representantes de ONGs ligadas à defesa dos direitos humanos e de parentes de vítimas da violência vindos de outros Estados.
A maioria dos manifestantes deve ser de moradores da Barra da Tijuca, bairro nobre da zona oeste onde Daniella Perez morava e foi morta. Cerca de 300 emergentes da Barra deverão comparecer à manifestação, segundo estimativa da produtora musical Sarandá Villas-Boas, coordenadora do movimento Barra-Cult. Ela avisa que a entidade pretende levar até um carro de som para protestar em frente na porta do Fórum.
À noite, moradores da favela de Vigário Geral - onde aconteceu a maior chacina urbana do Rio, com 21 mortos - prometem acender velas nas escadarias do Fórum e permanecer em vigília até o fim do julgamento, que deve terminar na sexta-feira. Além disso, a manifestação contará também com artistas conhecidos amigos de Daniella.
Segundo Cristina Leonardo, já confirmaram presença os atores Ricardo Machi e Guilherme Karan, e as atrizes Cláudia Abreu e Cláudia Mauro. Cristina afirma que a mobilização não pretende pressionar os jurados, mas mostrar que a sociedade está sabendo cobrar seus direitos, pedindo mudanças na lei.


