ONGs reclamam da falta de remédios para soropositivos
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quinta-feira, 25 de novembro de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Portadores do vírus da Aids no Paraná estão enfrentando a falta de medicamentos que deveria ser distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com informações de organizações não governamentais (ONGs) que representam os portadores do HIV, o problema vem se arrastando há três meses, mas se agravou neste mês, chegando à escassez total dos anti-retrovirais (para tratar o vírus).
A Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids (RPN) em Curitiba e região metropolitana alerta que três medicamentos para o tratamento de doenças oportunistas, que são ofertados pela governo do Estado, também estão em falta. O Paraná tem cerca de 13,4 mil pessoas com o vírus da Aids.
Paulo Sérgio de Oliveira, 32 anos e há cinco com a doença, conta que desde o início do mês, em Maringá, onde mora, pega os medicamentos em partes. Ele está deixando de fazer o tratamento completo para que outros portadores do vírus não fiquem sem remédio. ''Na semana passado fui pegar o remédio e só tinha para duas pessoas. Mas tinham várias querendo. Tive que dividir'', conta.
O secretário do Fórum Paranaense das ONGs Aids, Paulo César do Nascimento, adverte para o risco do tratamento incompleto: ''O grande problema é que se o tratamento for interrompido o remédio pode passar a não fazer mais efeito e a pessoa ter que mudar de medicamento. E o recomeço gera uma série de efeitos colaterais, que podem durar meses.'' Nascimento critica. ''Eles estão mexendo com vidas. O governo não diz que o Brasil tem o melhor programa DST/Aids?''


