ONGs reclamam da falta de preservativos
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quinta-feira, 09 de dezembro de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Dos 20 milhões de camisinhas que o Ministério da Saúde disponibilizou para o sistema público de saúde do Paraná em 2004, apenas 8,6 milhões chegaram até julho. Em agosto, setembro, outubro e novembro o envio de preservativos foi paralisado por causa da Operação Vampiro, que constatou irregularidades nas licitações do Ministério. A previsão é de que somente agora em dezembro e em janeiro de 2005 cheguem aos poucos as 11,4 milhões de camisinhas referentes aos últimos seis meses de 2004.
Nesse período, para não faltar o produto, foram fornecidas no sistema público de saúde do Paraná 1 milhão de preservativos comprados pelo governo do Estado e mais 2 milhões fornecidos pelas 399 prefeituras do Estado. Os dados são do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde.
Apesar de o Estado e os municípios terem tentado suprir a demanda devido a paralisação do envio de preservativos, algumas organizações não governamentais (ONGs) afirmam que o problema foi sentido. As ONGs alegam que, de uma maneira geral, o número de preservativos distribuídos pelo Ministério da Saúde não é suficiente. Essa escassez atinge principalmente os grupos mais vulneráveis à epidemia da Aids, como prostitutas e garotos de programas. ''Para os nossos projetos não tem faltado preservativos, mas já estamos escutando rumores de que está escasso nos postos de saúde e que no ano que vem o problema deve se agravar'', afirma Edson Bezerra, coordenador da ONG Adé Fidan, que tem projetos sociais com garotos de programa de Londrina
Bezerra afirma que uma das reclamações que eles ouvem na ONG não só de profissionais do sexo, mas de adolescentes e adultos, é a quantidade limitada de camisinhas que os postos distribuem. ''Eles dão 12 preservativos por pessoa. E muita gente reclama que eles fazem perguntas antes de dar as camisinhas. Mas é um dever do governo manter isso, para todos, para quem não pode e para quem pode comprar'', afirma Bezerra.
A presidente do Grupo Pela Vidda, que atende mulheres em Curitiba, Clarisse Calo, afirma que a falta de preservativos já acontece há tempo. Porém, para ela, da forma como a epidemia da Aids está se alastrando, não há outra forma de controle se não com a ajuda da população. Ela defende que as camisinhas do sistema público sejam dadas somente para quem não pode comprar.
Apesar das reclamações, a Secretaria de Estado da Saúde afirma que, quando começou a faltar o preservativo, havia em estoque 2 milhões de unidades. E só 1 milhão teria sido necessário para suprir a falta.


