Curitiba - Representantes de 140 Organizações Não-governamentais (Ongs) do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que atuam na prevenção e combate à Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis (DST), estão reunidos, em Curitiba, para discutir sua forma de atuação e articulação e se adequar ao novo cenário da doença no Sul do País. O IX Encontro Regional de Ongs contra a Aids (Erong), que começou ontem, tem como tema principal ''Repensando o Ativismo''. O evento termina amanhã.
O encontro também está servindo para o intercâmbio de experiências e metodologias de prevenção e assistência às pessoas atingidas pela epidemia de Aids. A programação envolve discussões sobre ações e parcerias no enfrentamento da epidemia, as representações do movimento de luta contra a Aids no Brasil e a abordagem do movimento com populações estratégicas.
Para o integrante do Fórum Paranaense de Ongs/Aids e um dos organizadores do encontro, Gabriel Furquim, o movimento de luta contra a Aids já conseguiu romper muitas barreiras como a falta de acesso à informação e à educação e o desrespeito aos direitos dos soropotivos como cidadãos. No entanto, ele avalia que há, ainda, muitos problemas a serem superados como o preconceito velado por parte da sociedade.
O preconceito, avaliou Furquim, fez com que populações que se achavam imunes à Aids se tornassem vulneráveis à doença. Por isso, a necessidade de repensar as estratégias de atuação frente a essas populações.
Os números da Aids no Brasil revelam a necessidade de propor novas políticas públicas de assistência e prevenção. Segundo dados do Ministério da Saúde, desde o início da década de 80 até dezembro de 2002, foram notificados 257 mil 780 casos de Aids no País. Desse total, 185 mil foram verificados em homens e 72,7 mil em mulheres.
No ranking das 100 cidades com o maior números de casos diagnosticados, 23 encontram-se em cidades da Região Sul, totalizando 27.643 portadores. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul somam aproximadamente 40 mil pessoas infectadas pelo vírus HIV. Apenas no Paraná, desde o início da epidemia, foram notificados aproximadamente 11,5 mil casos. Desse toral, 88,99% encontram-se na faixa etária entre 15 e 45 anos. Em Curitiba, 5º colocado no ranking das 100 cidades com o maior número de notificações de diagnóstico, foram notificados cerca de 5 mil até o final do ano passado.

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