Integrantes das Organizações Não-Governamentais (ONGs) Adé Fidan e Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (Alia) coordenaram ontem, no Centro de Londrina, uma manifestação por melhores condições de tratamento e prevenção a doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). O movimento, de caráter nacional, perguntava aos pedestres ''Onde está o melhor programa de tratamento de Aids do Mundo'', slogan utilizado pelo Ministério da Saúde para a venda da idéia de que a distribuição de medicamentos anti-retrovirais atende à população soropositiva de forma satisfatória.
''O Programa Municipal de DST/Aids nos respalda consistentemente, mas percebemos as dificuldades da secretaria e dos soropositivos devido à falta de apoio em âmbito estadual e federal'', destacou o coordenador geral do Adé Fidan, Edison Bezerra.
Entre as reivindicações, expostas ao público com a distribuição de panfletos realizada ontem, estão a contratação de equipes multidisciplinares de atendimento a soropositivos, aumento das autorizações para internação hospitalar e investimentos para atendimento da demanda por exames de diagnóstico. ''O interior do Estado está esquecido. Sabemos que nosso tratamento é caro e isso dificulta o estabelecimento de nossos direitos'', afirmou Silvana Gomes, presidente da Alia.
A prioridade cobrada por Bezerra e Silvana é o estabelecimento de políticas de prevenção e promoção de eventos de caráter educacional com o uso dos recursos físicos e humanos das Unidades Básicas de Saúde (UBS). A falta dessas políticas foi reconhecida pela coordenadora do programa municipal de DST/Aids, Rosângela Alvanhan. ''É realmente uma prioridade em Londrina, e esperamos colocar essas medidas em prática o quanto antes'', afirmou a coordenadora.
Segunda cidade do País a estabelecer políticas públicas de assistência a pessoas com HIV, Londrina tem 902 soropositivos, segundo dados do programa municipal de DST/Aids e do Ministério da Saúde. Desde 1984, ano da primeira notificação, foram registrados 1381 casos. Para atender os soropositivos, o município conta com recursos anuais de cerca de R$ 460 mil federais e municipais.
Os problemas expostos ontem pelas ONGs devem ser apresentadas no 1º Congresso Brasileiro ''Aids e Sistema Único de Saúde (SUS)'', marcado para o início de setembro, em Brasília. ''Os governos federal e estadual não podem mais contar com a idéia de que temos o melhor programa anti-Aids do mundo. Eles vão precisar se mexer'', afirmou.

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