ONGs lançam campanha para preservar araucárias
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sábado, 20 de setembro de 2003
Reportagem Local 
A Rede de ONGs da Mata Atlântica, coalizão que integra 257 entidades da sociedade civil (ONGs) lançou uma campanha nacional reivindicando medidas urgentes para proteger os remanescentes da Floresta com Araucária, um dos mais ameaçados ecossistemas do domínio da Mata Atlântica. Os ambientalistas colocaram à disposição o site www.rma.org.br para que mensagens sejam enviadas ao presidente Luis Inácio Lula da Silva e outras autoridades pedindo proteção para as araucárias.
A Rede de ONGs denuncia que empresários do setor madeireiro e proprietários rurais estão se mobilizando contra a adoção de medidas governamentais para proteger os remanescentes de Floresta com Araucária. Essas medidas, que estão em estudo no Ministério do Meio Ambiente (MMA) desde o início de 2002, resultaram na interdição de 200 mil hectares nos estados do Paraná e Santa Catarina, em áreas consideradas prioritárias para a criação de unidades de conservação.
Empresários madeireiros, ruralistas, prefeitos e políticos dos dois estados, segundo denúncia da Rede, pressionam o governo para anular as duas portarias. A Floresta com Araucária, cientificamente chamada Floresta Ombrófila Mista, recobria cerca de 170 mil km2 do território brasileiro e em pouco mais de um século de exploração ficou reduzida a 5% dessa área, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente. É uma das mais originais formações florestais do Brasil, na qual se destaca o pinheiro brasileiro (Araucaria angustifolia), árvore de grande porte que, apesar de constar da lista oficial do Ibama como espécie ameaçada de extinção desde 1992, continua sendo explorada comercialmente.
A mobilização em defesa da Floresta com Araucária resultou no ingresso de uma ação civil, em dezembro de 2000, por parte do Instituto Socioambiental (ISA) em parceria com a Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA), que liminarmente suspendeu a exploração das espécies ameaçadas de extinção na Mata Atlântica, segundo a lista oficial do Ibama. No âmbito desse esforço, em 2001 o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) aprovou a Resolução no 278, suspendendo temporariamente as autorizações de corte para as mesmas espécies.


