Ongs festejam tendência de queda do desmatamento
Representantes de entidades ambientalistas dos 17 estados com Mata Atlântica, reunidos em Campo Grande (MS), comemoram a tendência de queda do ritmo do desmatamento hoje, Dia da Mata Atlântica. Também fazem uma manifestação de protesto contra a demora na criação do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, o mais importante remanescente de Mata Atlântica no Mato Grosso do Sul. Ainda sob o impacto da mobilização contra as modificações no Código Florestal, a Rede de ONGs da Mata Atlântica, que reúne 170 entidades, faz desde quinta-feira seu maior encontro nacional.
O clima é de otimismo. Apesar de reduzida a 7,3% de seu território original, começa a cair o ritmo de desmatamento na Mata Atlântica e há áreas sendo recuperadas em São Paulo, no litoral norte e no Vale do Ribeira, disse João Paulo Capobianco, do Instituto Socioambiental (ISA) e coordenador nacional da Rede. Mas ele alerta que ainda há áreas críticas. O sul da Bahia, pressionado pela crise do cacau, continua tendo um desflorestamento acelerado, o mesmo acontecendo nas matas de araucária no Paraná e em Santa Catarina, onde a atividade madeireira corre solta.
A Mata Atlântica já cobriu 12% do território nacional, abrangendo todos os estados das regiões Sul, Sudeste e Nordeste (menos o Maranhão), além de Goiás e Mato Grosso do Sul. Outra grande ameaça é a expansão das áreas metropolitanas. Somente na Bacia do Guarapiranga, na Região Metropolitana de São Paulo, houve um desmatamento de 15% em dez anos, enquanto o índice no Estado de São Paulo, no mesmo período, foi de cerca de 3%.
Sabemos que ainda existem muitos problemas - não aguentamos mais contabilizar perdas - , mas reconhecemos ter avançado vários degraus para chegar ao objetivo de desmatamento zero, diz Capobianco. Entre as conquistas, ele cita o Decreto 750, que controla a conservação da Mata Atlântica, enquanto a lei específica não é aprovada, e a Lei de Crimes Ambientais, que deram suporte legal para a fiscalização. Além disso, lembra que a conscientização da sociedade também avançou muito. Hoje, o desmatamento não é mais a regra, como até há cinco anos.
Além de aperfeiçoar o acompanhamento, com a capacitação
de várias entidades e criação de um banco de dados com todas as ações realizadas na Mata Atlântica nos últimos dez anos, a Rede da Mata Atlântica pretende acompanhar de perto a elaboração do subprograma Mata Atlântica, dentro do PP-G7, principal programa de financiamento para as florestas brasileiras.
O Dia da Mata Atlântica foi comemorado pela primeira vez em 27 de maio do ano passado. Hoje, a Rede de ONGs da Mata Atlântica estará escolhendo mais um vencedor do Prêmio Motosserra. Os candidatos são o deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR), a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e a Souza Cruz, por sua atuação no Paraná e Santa Catarina.





