ONGs fazem campanha contra sementes estéreis
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quarta-feira, 22 de março de 2006
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- As organizações não-governamentais (ONGs) e movimentos sociais presentes na COP-8 estão direcionando a tônica das discussões de ''bastidor'' para a campanha contra sementes Terminator: novo episódio do embate com as multinacionais detentores de tecnologias para reprodução de grãos e plantas modificadas geneticamente. Uma simulação teórica dos custos que os grãos estéreis representariam para os agricultores foi apresentada, ontem, pela coligação global de cerca de 500 ONGs de várias partes do mundo, mobilizadas na conferência que debate biodiversidade.
A estimativa é de um gasto anual de mais de US$ 1,2 bilhão por ano isso apenas em seis países , considerando a necessidade de comprar novas sementes a cada safra. O levantamento foi realizado pela organização internacional ETC, que tem sede no Canadá e realiza estudos sobre o impacto de novas tecnologias na produção agrícola. O dado é hipotético já que as Terminator ainda não são comercializadas.
Um dos grupos de trabalho da COP-8, que reúne delegações dos países signatários da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), está debruçado sobre o tema (Tecnologias Genéticas de Restrição de Uso - Gurts). Parte dos países quer a proibição e parte defende a liberação das pesquisas em campo, com análise de risco de cada caso. O Brasil já se posicionou contra.
A ala científica sustenta que a argumentação para o pedido de proibição é desvirtuada, já que os produtores agrícolas teriam a opção de comprar ou não as sementes Terminator.
Para a pesquisadora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), Luciana Di Ciero, o maior erro da campanha contra as Gurts é passar a idéia de que essas tecnologias se restringem às sementes Terminator. Ela destacou que essa é apenas uma das possibilidades de modificação genética.
''A tecnologia tem um potencial enorme de benefícios'', afirmou. Segundo Luciana, as Gurts poderiam ajudar, por exemplo, no desenvolvimento de uma variedade de cana-de-açúcar que não florescesse. Isso representaria ganho de produtividade, pois a planta perde até 30% de sacarose para florescer. A combinação de genes, nesse caso hipotético, não restringiria o uso da planta para reprodução, pois o replantio é feito com o gomo da cana, explicou a pesquisadora.
Luciana destacou, ainda, que estudos científicos já comprovaram que é possível estabelecer distanciamento seguro para evitar o ''fluxo gênico'' ou contaminação de cultivos convencionais como preferem as ONGs para evitar cruzamentos. Por isso, não haveria razão para a proibição das pesquisas em campo, sustentou a pesquisadora.


