Rio - Entidades de defesa dos direitos humanos criticaram ontem a ideia de ''vitória'' sobre o crime propagada pelo governo do Rio, denunciaram abusos e uma suposta ''caça ao tesouro'' durante a ocupação policial do Complexo do Alemão e do Complexo da Penha. Ativistas de organizações não governamentais produziram um relatório com depoimentos de moradores com casos de tortura, ameaça de morte, invasão de domicílio, injúria, corrupção, roubo, extorsão e execução cometidos por policiais, que foi entregue à Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara e encaminhado à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Organização dos Estados Americanos (OEA).
Segundo a denúncia, equipes de policiais estão se revezando em um ''garimpo'' nas duas favelas em busca do dinheiro, joias, drogas e armas que criminosos teriam deixado para trás na fuga. As ONGs afirmam que o comandante da Polícia Militar do Rio, coronel Mário Sérgio Duarte, deu a ordem para ''vasculhar casa por casa''. Moradores das favelas denunciam que parte do armamento desviado pelos policiais foi para o arsenal das milícias.
Os ativistas apontam que até hoje não foi divulgado quantas pessoas morreram desde o dia 22, a identidade das vítimas e de que forma aconteceram os óbitos.
Em visita à comunidade, onde testou o teleférico que atenderá a população, o presidente Lula da Silva fez um apelo ao governador Sérgio Cabral Filho (PMDB). ''Aqui veio a polícia, veio UPP, veio teleférico. Agora tem que vir escola, tem que vir creche, tem que vir cultura, tem que vir emprego, tem que vir escola profissional'', disse.

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