Curitiba - Organizações não-governamentais (ONGs) que trabalham na prevenção e na assistência a portadores de Aids de todo o Paraná se reuniram ontem em Curitiba para discutir como vão proceder em relação à condenação do uso da camisinha pela Igreja Católica. O principal tema da discussão foi como começar a divulgação em todo o Estado de uma campanha produzida por ONGs nacionais, chamada ''Pecado é não usar''. ''Quanto tempo a Igreja levou para pedir perdão pela Inquisição? Quanto tempo a Igreja levou para pedir perdão aos judeus por se calar frente ao nazismo? Quanto tempo a Igreja vai levar para pedir perdão aos soro positivos?'' é o texto do vídeo da campanha.
A idéia das ONGs não é bater de frente com a Igreja, mas sim mostrar que os valores que são pregados estão em desacordo com a situação social de hoje e que não há como voltar atrás. No encontro ficou decidido o primeiro passo que cada ONG irá dar é ver o posicionamente das igrejas de suas cidades. O presidente da ONG Dignidade e coordenador do encontro, Toni Reis, explicou que caso não haja acordo, o vídeo será reproduzido para outras instituições e formadores de opinião (como políticos, por exemplo). As ONGs pretendem também fazer parecerias com emissoras de televisão para a veiculação da campanha. Uma outra estratégia são as manifestações de conscientização da população.
A Igreja Católica já se manifestou contra o vídeo. Contudo, em uma carta aberta, o Ministro da Saúde, Humberto Costa, defendeu a importância da campanha. ''O governo brasileiro não discute os dogmas e valores morais e individuais de abstinência e fidelidade conjugal. Entretanto, ressalta que essas estratégias são inadequadas enquanto política de saúde pública para a prevenção do HIV e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis. (..) Temos o dever e a responsabilidade de afirmar que o preservativo é a única maneira de prevenir o HIV entre as pessoas que têm vida sexual ativa.''

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