ONGs criticam fracasso e bióloga cobra conhecimento
Curitiba- Para as organizações não-governamentais (ONGs), a COP-8 foi um completo fracasso, especialmente, por causa da indefinição quanto ao regime internacional de acesso e repartição de benefícios pelo uso de recursos genéticos e conhecimentos tradicionais. ''Isso simplesmente dá mais tempo às indústrias de biotecnologia e farmacêutica de assegurar patentes de seres vivos sob o regime da Organização Mundial do Comércio (OMC)'', criticou o consultor político do Greenpeace internacional, Martin Kaiser.
Outra crítica dos ambientalistas foi a falta de atenção pelas delegações aos estudos apresentados pelas ONGs sobre a necessidade de criação de uma rede global de áreas protegidas e de áreas marinhas internacionais. Esse último, era também um item polêmico, pois a CDB não dispõe de instrumento legal para atuar em alto mar, além da jurisdição dos países.
Como ponto positivo, Kaiser apontou a manutenção da moratória para as sementes Terminator, que ele considerou resultado da pressão das ONGs e movimentos sociais. A Via Campesina marcou presença durante as conferências das Nações Unidas, fazendo protestos quase que diários. Ontem, os manifestantes voltaram a se reunir em frente ao ExpoTrade, em Pinhais, Região Metropolitana, local que sediou as reuniões.
A comunidade científica, também, sai da COP-8 com a sensação de que nada mudou em relação à última conferência, há dois anos. Para a bióloga, Luciana Di Masiero, faltou ciência nas discussões. ''São discussões ideológicas, voltadas para o comércio, e a parte científica é deixada de lado'', afirmou.
Em relação às pesquisas com árvores geneticamente modificadas, o entendimento de Luciana é de que não houve mudança em relação ao que já era permitido. Somente foi recomendado que sejam realizadas mais pesquisas, que terão, inclusive, incentivo.(A.L.)





