ONGs criticam ênfase das discussões em Haia na redistribuição da água e cobram mais atenção ao ecossitema
ONGs criticam ênfase das discussões em Haia na redistribuição da água e cobram mais atenção ao ecossitema19/Mar, 15:43 Por Liana John Enviada especial Haia, Holanda, 19 (AE) - As duas mega organizações ambientalistas União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e Fundo Mundial para a Natureza (WWF) querem mais atenção para os ecossistemas nas discussões do Fórum Mundial da água, que está sendo realizado em Haia, na Holanda, até quarta-feira (22). Ambas criticam a excessiva ênfase na redistribuição dos usos da água entre indústrias, agricultura e para o abastecimento de populações humanas, sem a necessária atenção para a origem da água, que depende da saúde dos ecossistemas que a reciclam e garantem tanto a qualidade como a quantidade dos estoques de água do planeta. "Nossos próprios corpos e a superfície da Terra são constituídos de mais de 70% de água. Nem nós, nem o planeta, sobrevivemos sem ela", discursou a rainha Noor Al Hussein, viúva do rei Hussein da Jordânia e patrona da IUCN. No Oriente Médio, a escassez de água já causa instabilidades políticas e a perspectiva de intensificação de guerras por este motivo não é desprezível. Na Jordânia, cada habitante tem acesso a cerca de 85 litros de água por dia, enquanto os americanos utilizam 600 litros. Israel, Jordânia e os palestinos, juntos, demandam 3,2 bilhões de metros cúbicos de água, mas a média das chuvas anuais na região não supera 2,5 bilhões metros cúbicos. Os 700 milhões restantes são retirados de reservas subterrâneas, sem condições de renovação. "A água não pode ser vista apenas como uma commodity industrial, sem que se questione sua origem nem se pense na proteção dos mananciais", disse Claude Martin, presidente do WWF à Agência Estado. "Não se pode simplesmente dividir a água entre os diferentes usos humanos e esquecer que a natureza depende igualmente dela e que a proteção aos ecossistemas é fundamental para a manutenção dos recursos hídricos". Martin defende uma mudança radical na forma como os recursos hídricos são manejados, sob o risco de caminharmos aceleradamente para um desastre global. "Precisamos deixar de discutir a gestão da água apenas quando há emergências", acrescentou. Exemplos - É fundamental, também, aprender com os exemplos de manejo errado, que estão obrigando à reversão de projetos, como nos Everglades, EUA, onde o governo americano já investiu mais de US$ 300 milhões para fazer o rio Shark voltar a correr através do pântano, que filtrava naturalmente suas águas. O sistema dos Everglades abastece 4 milhões de pessoas na região de Miami, onde a qualidade da água é considerada uma das piores do país, justamente porque a drenagem para agricultura eliminou o filtro natural. Outro exemplo é o do rio Yang-Tse, na China, que corria através de um complexo sistema de lagos e várzeas, drenados e modificados para uso agrícola. As modificações são a causa das inundações, que tem desalojados milhões de chineses todos os anos nas margens do Yang-Tse. O governo chinês também está investindo pesado na reversão das drenagens e reabertura dos lagos para conter a força das águas nas enchentes do rio. Como bem resumiu a rainha Noor: "não podemos competir com a natureza, nem controlá-la, mas podemos trabalhar com ela e uns com os outros, para realizar nosso sonho de água limpa, ecossistemas saudáveis e sociedades prósperas para todas as populações do globo".





