Marcos Zanatta
De Maringá
A Associação de Defesa Ambiental de Maringá (Adeam), uma organização não-governamental (Ong) que atua em toda a região, está processando cerca de 350 produtores rurais que resistem em recompor a reserva legal de mata nas propriedades. A lei exige que cada propriedade tenha 20% da áreas de mata. ‘‘Mas não é isso que vemos nas áreas de agricultura mecanizada em quase todo o Estado’’, diz o presidente da entidade, Alberto Contar. Ele acredita que a cobertura florestal na região Noroeste não chega a 1%.
Os produtores, segundo Contar, alegam que terão prejuízo econômico se reservarem 20% da área para a manutenção de matas. ‘‘Na realidade, existe ganho na produtividade e na qualidade da região’’, argumenta o ambientalista. ‘‘Reservas de matas protegem os rios, seguram umidade e devolvem a diversidade de insetos predadores de pragas das lavouras ou polinizadores’’.
Contar ressalta que em propriedades onde os 20% de reserva foram recuperados os animais reapareceram. ‘‘Existe registro da presença de animais silvestres nas poucas matas que sobraram e são espécies que se proliferam quando encontram ambiente adequado’’. O problema, segundo Contar, é que a maior parte dos agricultores prefere o lucro rápido e a exploração imediata.
O trabalho de recuperação de matas na zona rural de Maringá ganha força também na cidade. Uma lei do vereador Basílio Bacarin (PSDB) está garantindo o replantio de matas ciliares nos fundos de vales inclusive em áreas ainda desabitadas, na divisa de bairros com a zona rural. ‘‘O trabalho envolve vários órgãos e instituições e busca resultados’’, observa Bacarin.
A primeira ação é dos estudantes do curso de biologia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), que verificam as condições de degradação das margens dos córregos. O resultado vai servir de base para orientar o plantio e as espécies que serão utilizadas para o reflorestamentos.
As áreas públicas são de responsabilidade do município, enquanto os fundos de vale dentro de propriedades devem receber atenção dos donos. Quem faz o plantio tem um desconto de 50% do IPTU ou uma multa da mesma proporção caso não recompor a mata ciliar. ‘‘Maringá tem 70 quilômetros de fundos de vales e o plantio deve atingir 30 metros de cada lado, o que vai representar uma área de 4,2 milhões de metros quadrados de matas’’, diz o vereador. Já foram plantadas 2,5 mil mudas nas margens de sete córregos.
Por enquanto, estão sendo plantadas as chamadas ‘‘árvores pioneiras’’, espécies indicadas para iniciar a recuperação de áreas degradadas. As mudas de sangra d’água, capixingui, bracatinga, pau-de-cigarra, amoreira, embaúba e uva-do-japão são produzidas no viveiro da prefeitura. São espécies que devem durar em torno de cinco anos, depois desse período darão lugar à floresta definitiva.
Para o secretário de Meio Ambiente do Paraná, Hitoshi Nakamura, os projetos de reflorestamento de Maringá servem de exemplo para outros municípios. O destaque é a produção de 100 mil mudas anuais, que são doadas a pequenos agricultores e destinadas à recuperação de matas ciliares. Parte das mudas vem do Viveiro da Fraternidade, implantado na Penitenciária Estadual de Maringá. O município mantêm técnicos que acompanham o plantio e o manejo até a formação da mata.

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