Curitiba - Depois que 50 indígenas ocuparam ontem a sede do escritório paranaense da Secretaria Nacional da Saúde Indígena (Sesai), no Centro de Curitiba, e mantiveram 10 funcionários do Ministério da Saúde no local, a organização não governamental (ONG) Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), que por meio de convênio com o Ministério da Saúde presta serviços às tribos, se comprometeu a atender as reivindicações para melhorar a assistência à saúde em aldeias do Paraná, interior de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
A reunião realizada ontem, no final da tarde, no Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba, contou com a participação de representantes dos indígenas, da ONG, e do Ministério da Saúde. O representante da SPDM se comprometeu, até sexta-feira, a quitar os salários dos servidores que estavam em atraso, além de promover a contratação daqueles que ainda não estavam com o contrato de trabalho regularizado.
A SPDM tinha firmado contrato em novembro do ano passado para prestar atendimentos a dois Distritos Sanitários Indígenas, que abrangem o interior paulista e os três estados da região Sul. Entretanto, segundo os indígenas, a instituição não estava dando conta da demanda, deixando aproximadamente 60 mil índios sem o tratamento adequado.
Na Reserva São Jerônimo, em São Jerônimo da Serra (Norte), índios retiveram ontem uma viatura da Fundação Nacional da Saúde (Funasa) em protesto pela falta de infraestrutura no posto de saúde da aldeia.
A unidade conta com menos de 60 metros quadrados, tem um enfermeiro diariamente e o médico cumpre expediente dois dias por semana. ''Essa obra foi entregue inacabada em 2009. Tem situações em que o médico daqui não consegue revolver, mas o paciente não é transferido para um hospital porque nenhum veículo da área da saúde fica na aldeia'', reclamou o cacique Adilson Guimarães Carneiro. A Funai de Londrina não tinha conhecimento do protesto na tarde de ontem.(Colaborou Danilo Marconi/Reportagem Local)

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