ONG ecológica recruta voluntários em todo o mundo
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sexta-feira, 16 de julho de 1999
Por Clarissa Thomé, especial para a AE 
Rio, 17 (AE) - Observar abutres na Croácia ou baleias nas Ilhas Canárias, contar a população de morcegos "raposa voadora" na Índia, salvar macacos na áfrica do Sul ou acompanhar o nascimento de tartarugas no Brasil. Voluntários de diferentes nacionalidades, recrutados pela organização não-governamental holandesa Ecovolunteer Program (EP), estão seguindo para programas ecológicos em diversas partes do planeta. E chegam a pagar US$ 1,8 mil.
O objetivo da organização não-governamental (ONG) é identificar projetos de preservação ambiental que precisam de recursos para manter seu trabalho. Em vez de buscar doadores para sustentar esses programas, a ONG permite que o ecovoluntário participe dos projetos, acompanhando o trabalho de cientistas - 77% do valor pago é destinado ao programa.
Pode-se observar baleias-piloto nas Ilhas Canárias, durante duas semanas, por US$ 325, com direito a hospedagem e refeição. O ecovoluntário mapeia a população de baleias, que até poucos anos era alvo de matança, policia o ecoturismo marinho e instrui a população sobre a importância da preservação. Mas também prepara a própria comida e ajuda na limpeza do barco, onde fica hospedado. "Não é turismo, ninguém vai te entreter, o ecovoluntário viaja para trabalhar", explicou a engenheira florestal Valéria Braga, que desde novembro é a representante da ONG para a América Latina.
Moradora de Niterói, no Grande Rio, ela faz a maior parte dos contatos pela Internet. Valéria ainda não viajou, mas sonha com o programa de proteção às belugas (mamíferos marinhos) no Mar Branco, na Rússia. "Esse projeto é para pessoas especiais, que não temem dificuldades", afirmou. Para catalogar os sons emitidos pela beluga e identificar o tipo de mensagem que ela está enviando, o ecovoluntário passa 15 dias isolado numa ilha, dormindo em barracos rústicos e se alimentando do que pode ser coletado na ilha: peixe, frutas e cogumelos.
Isolamento - Pessoas que não temem o isolamento também podem optar por observar rinocerontes brancos e negros em Suazilândia, na áfrica do Sul. Durante o tempo de permanência na reserva Mkhaya Game, em tendas, não é permitido entrar em contato com amigos e parentes. Os organizadores advertem que a comida típica pode não ser agradável para ocidentais. Inimigos do banho de água fria devem manter-se afastados desse projeto. O trabalho do ecovoluntário vai desde acompanhar os animais em perigo ao reparo das cercas.
Nem todos os programas ecológicos são sinônimo de pouca estrutura.Para mapear as populações de baleia-azul no Canadá, fica-se em hotel, janta-se em bons restaurantes da região de Gaspesie, próxima a Montreal, e paga-se caro: US$ 1.840 por uma semana.
Às vezes, o ecovoluntário tem de lidar com animais vítimas de maus-tratos. O zoológico de Lopburi, na Tailândia, recupera ursos e macacos. "É prática, em alguns países, trancar o urso adulto em jaulas pequenas, furar a barriga dele para instalar um tubo, por onde recolhem a bilis produzida pelo animal, que é usada para fazer remédios", explica Valéria. Quando o urso fica doente e velho, é abandonado para morrer.
Trabalho - "O ecovoluntário tem de trabalhar por, no mínimo, um mês no zoológico para que o animal ganhe confiança de quem o alimenta", diz a engenheira florestal. Alguns ecovoluntários envolvem-se tanto com os programas que se arriscam pelos animais.
Em janeiro, quando a guerra civil em Serra Leoa se agravou, voluntários foram resgatados de helicóptero do Santuário de Tacugama, que reintroduz chimpanzés vítimas de maus-tratos à vida selvagem. "Uma ecovoluntária sentiu-se tão ligada ao projeto que retornou sozinha, poucas semanas depois, por sua conta e risco", relata o presidente da organização, Roel Cosijn.
Há poucas exigências para se tornar um ecovoluntário: falar inglês, gostar de longas caminhadas, suportar dificuldades como forte calor ou frio, se adaptar aos costumes locais e se preocupar com os animais. Todos os roteiros do Ecovolunteer Program podem ser encontrados no site http://www.ecovolunteer.org. Para entrar em contato com Valéria Braga: (0XX21) 608-1477


