ONG denuncia extração ilegal de areia
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de julho de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Fundação Estadual de Cidadania (FEC) organização não-governamental (ONG) de defesa do meio ambiente iniciou uma ofensiva contra as empresas de extração de areia de Curitiba e região metropolitana. A entidade acusa as mineradoras de explorarem áreas próximas a rios, acabando com a mata ciliar e assoreando os leitos.
De acordo com um dos membros da FEC, Maurício Cheli, a maioria das empresas não teria licença ambiental para funcionar. A ONG encaminhou pedidos de informação ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para ter um levantamento da situação das mineradoras junto ao órgão e pretende mover uma ação civil pública contra, pelo menos, uma empresa que estaria causando sérios danos ao meio ambiente. Cheli preferiu não revelar o nome da mineradora.
A FEC também aguarda parecer da Promotoria de Meio Ambiente, órgão vinculado ao Ministério Público (MP), em relação ao posicionamento do órgão sobre a atividade. A avaliação do MP, segundo ele, também irá subsidiar a ação judicial. ''Não somos contra as mineradoras e nem queremos que se pare com a extração de areia, pois isso provocaria a paralisação de um setor econômico'', destacou Cheli. ''Queremos que haja respeito à legislação ambiental'', completou.
O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) estabelece que a faixa de 30 metros a partir do leito do rio é área de preservação permanente, não sendo permitida qualquer atividade ou ocupação. Segundo Cheli, várias mineradoras, que estão instaladas nas proximidades do limite entre Curitiba e Fazenda Rio Grande, na região metropolitana, extraem areia às margens do Rio Iguaçu, dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) do manancial.
O presidente da Associação dos Mineradores de Areia e Saibro do Paraná (Amas), ex-deputado federal Airton Roveda, nega que as empresas estejam desrespeitando a reserva legal de mata ciliar. Ele admite que muitas das 60 mineradoras da Grande Curitiba não têm o licenciamento ambiental, mas garantiu que a Amas firmou termo de ajuste de conduta com o IAP e Promotoria do Meio Ambiente para que areieiros possam trabalhar sem ferir a legislação.
Roveda concorda que a exploração da areia provoca alterações no meio ambiente, mas que a seu ver não são graves como a ocupação urbana. ''Tem consequências, mas com o tempo a área se recompõe'', alegou.


