Rio, 09 (AE) - A Polícia Federal vai abrir inquérito para apurar suspeita de crime ambiental da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio. De acordo com denúncia da organização não-governamental Fala Bicho, a Fiocruz teria criação de animais silvestres sem licença e suas cobaias seriam maltratadas. "Todos os animais silvestres mantidos na fundação têm licença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)", afirmou o vice-presidente de Pesquisa de Ensino da fundação, Renato Cordeiro, negando maus tratos.
A presidente da ONG, Sheila Moura, tomou conhecimento dos supostos maus-tratos a cobaias em carta publicada em um jornal. A leitora, segundo Sheila, contava que apesar de todo o sofrimento do bicho, a pesquisa era abandonada pela metade. Ela procurou o Ministério Público Federal (MPF) e no dia 7 acompanhou vistoria do Ibama, Polícia Federal e do MPF.
De acordo com Sheila, havia uma criação irregular de gambás e macacos "estressados, mantidos em celas minúsculas". A pesquisadora, segundo apresidente da ONG, apresentou duas licenças para capturar gambá, mas uma não estava no nome dela e a outra permitia a captura apenas no Estado do Piauí. "Na Europa, os grandes centros de pesquisa têm música ambiente e galhos simulando florestas para acalmar os macacos".
O vice-presidente da Fiocruz contou que a fundação comprou dois contêineres de US$ 200 mil, onde os macacos usados para pesquisas sobre leishmaniose têm controle de temperatura e iluminação. "Temos duas comissões de ética e é absurdo supor que os pesquisadores estão mancomunados contra os animais", afirmou. "Estamos amadurecendo a idéia de termos representantes de sociedades protetoras dos animais". A assessoria da Fiocruz informou que todas as licenças para capturas de animais foram enviadas para o MPF. Os gambás têm resistência à doença de Chagas e por isso são usados em experiências nessa área.
O Ministério Público vai aguardar a conclusão do inquérito da PF para se pronunciar sobre o caso.

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