ONG contesta versão de tortura pelos sem-terra
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2006
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O conflito entre integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e a família do agricultor José Luiz Estácio, da cidade de Paula Freitas (23 km a leste de União da Vitória), ocorrido no último domingo, pode ter outra versão do que a divulgada inicialmente pelo agricultor e polícia da Delegacia de União da Vitória.
A ONG Terra de Direitos, com sede em Curitiba, através de nota encaminhada à imprensa, contesta a afirmação de que integrantes do MST teriam prendido e torturado membros da família. O próprio assessor especial do secretário de Estado de Segurança Pública, Marcelo Jugend, que atua na área de conflitos agrários, reconheceu, ontem, que a ''primeira versão para a história pode ter sido ''precipitada''.
De acordo com ele, os acontecimentos de domingo estão sendo apurados em inquérito policial pela Delegacia de União da Vitória, e a secretaria está acompanhando o caso. ''É preciso analisar direito o que aconteceu, de quem eram as armas apreendidas. O MST está contestando com veemência a primeira versão, e vamos ver o que ocorreu'', afirmou.
A versão inicial dizia que na manhã de domingo integrantes do MST teriam torturado por mais de três horas seis pessoas da família de Esteves e mais dois funcionários de uma fazenda de 400 alqueires, que pertenceu ao Banestado. Em uma parte da fazenda vivem, hoje, cerca de 80 famílias de sem-terra, no local desde o início de 2005. Em outra área da propriedade vivem Esteves e sua família, que têm na Justiça uma ação por usucapião, para ficar com 86 alqueires da propriedade. O Banestado, por sua vez, obteve mandado de reintegração de posse para retirada dos sem-terra do local.
Na nota, a ONG Terra de Direitos afirma que os sem-terra estavam sendo ameaçados pela família de Esteves. A organização alega que, ao contrário do que foi divulgado, quem chamou a polícia no domingo foram os sem-terra. Após serem pressionados durante o sábado, ''com tiros contra os barracos'', eles teriam ido à casa de Esteves com objetivo de entregá-lo à polícia.
''Mas autoridades locais invertem os fatos para a mídia'', diz a nota. Segundo a ONG, apesar do MST ter denunciado a situação em três boletins de ocorrência (BOs), a polícia local nunca tomou providências. ''Com a intensificação das ameaças, no dia 22 de dezembro, o MST entregou um relatório à Secretaria de Segurança Pública do Estado, que prometeu solucionar o conflito. Nada foi feito'', diz a nota.
A ONG também acusa Esteves e sua família de serem grileiros e explorar madeira ilegalmente há vários anos. A ação estaria documentada, inclusive, em relatório técnico do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), de 3 de março de 2005.


