ONG cobra afastamento de secretário
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quinta-feira, 08 de setembro de 2011
Davi Baldussi <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - A organiação não governamental (ONG) Meio Ambiente Equilibrado (MAE) pretende protocolar hoje uma denúncia crime no Ministério Público (MP) contra o secretário do Meio Ambiente, José Faraco, responsabilizando-o pelo incêndio no Parque Municipal João Milanez, conhecido como Fazenda Refúgio, que aconteceu na segunda-feira, dia 5, e queimou cerca de 15 mil árvores distribuídas por 25 hectares.
''Vamos pedir (ao MP) para que ele seja afastado do cargo pelo histórico de ações irresponsáveis'', afirmou o presidente da ONG, Eduardo Panachão.
As árvores nativas, que foram vítimas do fogo, faziam parte do projeto ''Na Pegada do Parque'', corredor ecológico entre o Arthur Thomas e o Rio Tibagi. O Parque Municipal foi declarado unidade de conservação ambiental em 2009 e possui uma área de aproximadamente 300 hectares.
De acordo com a advogada da ONG, Natália Jodas, há uma suspeita de que o incêndio possa ter iniciado por conta de galhos, resíduos de podas, que estavam acumulados no local, e haviam sido despejados irregularmente com permissão da Secretaria do Meio Ambiente (Sema).
Segundo a assessoria do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), no dia 24 de agosto foi assinado um termo de referência para que a Sema retirasse os galhos que estavam sendo depositados pelo menos desde fevereiro no local. A Secretaria teria 15 dias para retirar os resíduos, mas o prazo venceu ontem.
O IAP informou, ainda por meio da assessoria, que as causas do incêndio não foram esclarecidas. Há suspeitas de que tenha sido criminal. Mas é possível também que os resíduos de galhos, que devido ao tempo quente e seco na segunda-feira, podem ter entrado em combustão.
O presidente da ONG, Eduardo Panachão, criticou Faraco, afirmando que ''o secretário toma decisões sem embasamento jurídico ou técnico.'' ''Na terça-feira, um dia após o incêndio, caminhões da Sema e Visatec estavam apressados para retirar os galhos'', afirmou o ambientalista.
De acordo com José Faraco, não há relação entre o início do incêndio e a presença dos galhos no local. ''Árvore só pega fogo se for enterrada. Num depósito nunca. Já viu uma serraria queimar sozinha? Tem alguém incendiando lá e são pontos distante de onde estavam depositados os galhos, sempre dois, três focos em pontos diferentes'', alegou.
Ele acrescentou que neste ano já aconteceram quinze incêndios no Parque Municipal João Milanez. ''É uma retaliação. Quando a ONG MAE cuidava da Secretaria até reciclagem de lixo tinha lá (no parque municipal) para ganhar dinheiro. Tirei tudo, depositei só coisa inerte lá.''
Segundo o capitão Rodrigo Nakamura, do Corpo de Bombeiros, ''incêndios são recorrentes no parque municipal.'' Panachão concorda que o local pode ser alvo de incêndios criminosos. ''Mas nos outros casos o estrago não foi tão grande pois não havia os galhos. Foi uma atitude irresponsável que gerou um dano muito maior'', declarou.


