O desaparecimento de um ente querido era situação que a família Saito nunca imaginou passar. Até que o patriarca, Tokutaro Saito, com 75 anos, saiu numa tarde e nunca mais voltou. ''Como ele era muito fechado, não avisou para onde ia. Mas era comum ele fazer isso. Só que dessa vez não retornou'', lembra a filha de seis irmãos, Olinda Saito. Já se passaram 14 anos e nenhuma notícia concreta de sua localização. Como ele fazia peças com bambu chegaram a procurar em chácaras pensando que ele tivesse ido atrás de material.
Além da procura em casas de parentes, asilos, hospitais e IML, a família chegou a ir atrás de algumas informações a respeito do paradeiro. Porém, nada foi encontrado. Sobre o que teria acontecido, a filha descarta uma fuga ou morte súbita. ''Apesar da idade, tinha uma saúde muito boa. E se tivesse morrido, por que nunca acharam o corpo? Um senhor idoso, oriental não é comum. E não tinha motivos para fugir. Estava casado há 48 anos'', revela.
O pai possuía uma aposentadoria que nunca foi retirada por ele depois do sumiço. Por isso, Olinda cogita a perda de memória do pai. ''Acho que um dia vamos descobrir o que realmente aconteceu. Enquanto isso, com o tempo a gente se acostuma, de certa forma, com a ausência da pessoa. Mas é muito angustiante não saber o que aconteceu, se ainda está vivo. Quando estou andando pela rua, sempre olho os mendigos pensando que posso encontrá-lo sem memória.''

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