Onda de saques leva tensão ao Nordeste
Uma pessoa morreu em Pernambuco durante bloqueio a rodovia por integrantes do MST, que reivindicavam cestas básicas
Agência Estado
Um dia após o saque de cinco cidades do Ceará, vários municípios da fronteira de Pernambuco com a Bahia amanheceram ontem em clima de tensão por causa de ameaças de saques ao comércio e às agências do Banco do Brasil. Em Orocó, a 148 quilômetros de Petrolina (PE), uma pessoa morreu durante o bloqueio da BR-428 por mais de mil integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que reivindicavam cestas básicas. Em Cabrobó, a Polícia Militar estava de prontidão para evitar saques à feira-livre da cidade.
Durante todo o dia a PM ficou mobilizada pelo menos nos primeiros 200 quilômetros da rodovia, aguardando qualquer incidente, que só aconteceu em Orocó, durante o fechamento da BR-428. Um trabalhador foi atropelado e morto por um caminhão que tentou furar o bloqueio, enquanto que outro caminhão carregado de rapadura foi saqueado. ‘‘Em Cabrobó - a 187 quilômetros de Petrolina - estamos esperando qualquer coisa ruim por essas horas’’, afirmou um sargento da Polícia Militar de Pernambuco. ‘‘Anteontem surgiram boatos que esta cidade seria invadida pelos saqueadores’’, acrescenta o militar, ressaltando que muitos também são sem-terra.
Em Santa Maria da Boa Vista (PE), a 112 quilômetros de Salgueiro (BA), a PM ficou de prontidão à espera de um grupo de mais de cem trabalhadores que pretendia ocupar a agência do Banco do Brasil. Até o final da tarde, porém, não tinham aparecido. A intenção deles, segundo a PM, era reivindicar créditos e perdão de dívidas contraídas antes do período da seca. A PM de Petrolina também ficou em regime de prontidão para ser enviada a qualquer uma das cidades.
Os oito governadores que prestigiaram ontem a posse do novo superintendente da Sudene, Sérgio Moreira, reiteraram a necessidade de o governo federal implantar de imediato as frentes de trabalho na região do semi-árido que sofre com a seca.
‘‘Não dá para esperar’’, resumiu o governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB). ‘‘O grande problema é a falta de trabalho para os agricultores rurais’’, complementou Albano Franco (PSDB), de Sergipe. Os governadores também criticaram o atraso da ação do governo federal frente à estiagem, embora acreditem que ainda há tempo para agir, desde que as providências tenham ritmo acelerado.
‘‘O atraso exige um esforço complementar, porque a organização numa seca é muito importante, senão ocorrem os tumultos e não se pode atender convenientemente’’, observou o governador de Pernambuco, Miguel Arraes (PSB). Sérgio Moreira garantiu que não faltarão recursos nem para as cestas básicas nem para as frentes produtivas de trabalho.

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