A cidade de Salvador viveu, ontem, uma ‘‘Sexta-Feira 13’’ de terror verdadeiro. Foram registrados nove assassinatos, segundo o governo do Estado, mas o número ainda é informal porque a Polícia Civil também está em greve. Se confirmado, é até três vezes superior à média diária da cidade e eleva para cerca de 15 o número de mortos desde que a tropa de choque aderiu à greve, na última quarta-feira.
A violência se intensificou durante a madrugada. Durante o dia, com poucas tropas federais na rua, os saques e assaltos continuaram.
O Pelourinho, uma das principais atrações turísticas da cidade, permaneceu vazio e com a maioria do comércio fechado.
Nem as tradicionais baianas apareceram para vender os produtos típicos do Estado, como acarajé e vatapá. Na região, apenas alguns ateliês abriram suas portas.
O saldo de ontem, extra-oficial, foi de pelo menos 40 pessoas feridas à bala. O número de atendimentos no Hospital Geral do Estado cresceu 50% ontem, em relação à noite de anteontem -não há comparação disponível com a mesma noite da semana passada. No total, 286 pessoas deram entrada no HGE com sinais de ferimentos diversos.
Os crimes se concentraram durante a madrugada na região central da cidade. Pelo menos dez lojas foram saqueadas. Uma delas, de calçados, depois de ser invadida pelos assaltantes, foi incendiada.
Um dos pontos bloqueados pelos manifestantes ficava em frente ao quartel do Corpo de Bombeiros. Os bombeiros nada fizeram. A corporação não aderiu à greve dos policiais.
Uma loja de produtos de surfe teve cerca de 90% de seu estoque roubado durante a madrugada. Eletrodomésticos, como TVs, eram vistas jogadas no meio da rua, deixadas para trás pelos saqueadores.
Segundo testemunhas, houve carros que fizeram até três viagens para conseguir retirar todos os produtos do estabelecimento, dentre roupas e sapatos. Um dos assaltantes foi espancado por populares e conseguiu escapar. Mesma sorte não teve um outro saqueador, que foi morto a tiros à noite. Ninguém assumiu a autoria do crime.

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