Onda de assaltos deixa comércio em alerta
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quarta-feira, 22 de novembro de 2006
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O comércio já está alerta para as ondas de assaltos e outros crimes contra o patrimônio que costumam aumentar no período de fim de ano. O setor é vítima de uma lista variada de golpes e crimes, que vai de pequenos furtos até roubos mediante arrombamento, estelionato em documentos, olerites fraudulentos, dinheiro falso e cartões clonados. De acordo com a Câmara Setorial de Segurança da Associação Comercial do Paraná (ACP), pelo menos uma casa lotérica ou uma panificadora é assaltada por dia, em Curitiba.
O vice-coordenador da Câmara, José Augusto Soavinski, informa que a situação é mais crítica para os comerciantes dos bairros, que estão desamparados pelo policiamento. ''Há duas semanas, dois estabelecimentos foram assaltados por motoqueiros que quebraram a vitrine com o veículo e levaram a mercadoria, nos bairros da Água Verde e Bacacheri. Os ladrões estão mais ousados e os bairros estão carentes de segurança'', diz Soavinski. Ele acrescenta que a proposta é fortalecer o policiamento volante e integrar os comerciantes dos bairros com os conselhos comunitários de segurança.
''A gente nunca vê uma viatura da polícia passando pela rua. Não temos assistência por aqui. Por isso mesmo, os proprietários estão pensando em contratar uma pessoa para fazer a segurança à noite'', conta a gerente de uma panificadora no Bacacheri, Ester Munte, 48 anos. ''Já fomos assaltados quatro vezes. É uma situação constrangedora e depois disso, a gente sempre fica com medo. Nossa clientela é conhecida e quando chegam pessoas diferentes na confeitaria acaba que desconfiamos e isso não é bom'', lamenta Ester.
Para discutir o problema e buscar soluções a ACP promove, até amanhã, o 1º Seminário de Segurança no Comércio de Curitiba. O evento, com entrada franca, terá palestras com especialistas para debater o funcionamento da ''engenharia do crime''.
''Reivindicamos melhor segurança para trabalhar e para os clientes, porque o comércio não sabe quem vem até a sua porta'', critica Soavinski, dizendo que é difícil encontrar estabelecimento comercial que não disponha de segurança pessoal ou eletrônica e que entre os grandes lojistas é comum se fazer seguro contra roubo e incêndio.
''Existe um perfil de crimes no setor que envolve a situação de criar oportunidades, como é o furto por descuido, por exemplo. Os crimes são sempre os mesmos mas observamos o aumento da incidência no final do ano'', explicou o delegado da Furtos e Roubos, Rubens Recalcatti.


