Onda de ameaças paralisa o Rio de Janeiro
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segunda-feira, 30 de setembro de 2002
Agência Folha 
Agência Folha
Rio de Janeiro - A seis dias da eleição, uma onda de ameaças e boatos atribuída a traficantes de drogas provocou o fechamento do comércio, de escolas e de agências bancárias em pelo menos 36 bairros de todas as regiões do Rio incluindo Ipanema e Botafogo, na zona sul, Rio Comprido, Tijuca e o entorno de várias favelas da zona norte, como o complexo do Alemão.
O comércio também fechou em bairros de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Caxias e Belford Roxo, cidades na região metropolitana do Estado. No final da tarde, 19 acusados de espalhar boatos tinham sido presos.
Segundo a polícia, as ameaças podem ter sido uma reação do tráfico à prisão de Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, líder do CV (Comando Vermelho), há 12 dias, e ao isolamento dos principais chefes da facção no Batalhão de Choque da Polícia Militar desde que foram transferidos de Bangu 1.
Sem ser explícita, a governadora Benedita da Silva (PT) insinuou que o movimento pode ter sido resultado de uma orquestração política para prejudicá-la na eleição de domingo.
As ameaças começaram no início da manhã. Segundo comerciantes, a maioria delas foi feita por jovens em motos ou a pé, alguns encapuzados e armados. Diziam que a ordem partira de traficantes do CV.
No Caxambi (zona norte), um comerciante contou que traficantes estavam anotando o endereço de todas as lojas que abriam, para incendiá-las depois.
Como um efeito dominó, lojas, restaurantes, bancos e até serviços públicos como os Correios de pelo menos 36 bairros da cidade foram fechados. Funcionários foram dispensados. Em grande parte da zona norte, as ruas ficaram desertas como em feriados.
A PM (Polícia Militar) determinou que os batalhões das regiões afetadas colocassem todo o efetivo nas ruas. A presença dos PMs não foi suficiente para encorajar os comerciantes a reabrir.
Em grande parte das agências bancárias, a explicação dada aos clientes era que, por medida de segurança, não haveria expediente.
Na Gávea (zona sul), PMs que fazem a segurança particular do bairro contaram que receberam interceptações em seus radiotransmissores com ordens de traficantes para que todas as áreas pertencentes ao CV tivessem os estabelecimentos fechados.
Colégios e universidades também fecharam. A maioria das escolas não sofreu ameaças diretas, mas suspendeu as aulas por precaução e por causa da ansiedade dos pais.
O principal campus da Universidade Estácio de Sá, no Rio Comprido, dispensou 5.000 alunos depois que quatro bombas de fabricação caseira explodiram na rua às 7h30.
Como resultado das ameaças, 20 postos de saúde e 90 postos de gasolina da capital não funcionaram e quatro ônibus foram incendiados. Segundo o Sindicato das Escolas Particulares do Rio, 40% dos alunos não foram às aulas.


