Oncologistas discutem tratamentos complementares
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domingo, 17 de junho de 2007
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Seja pela esperança de cura ou por baixa resposta às terapias medicamentosas, o fato é que diversos fatores levam pacientes com câncer a buscar alternativas para o tratamento da doença. O assunto foi um dos destaques do Encontro Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, no início de junho. Especialistas apresentaram três estudos sobre tratamentos alternativos, dois deles envolvendo produtos bastante familiares entre os brasileiros: o ginseng e a cartilagem (veja textos nesta página).
O oncologista Carlos Eduardo Jadão, de Londrina, explica que o tratamento do câncer evoluiu muito e atualmente as chances de cura chegam a 100%, desde que na fase inicial, o que depende de detecção precoce da doença. ''Há 30 anos, 90% das crianças com leucemia morriam, e hoje, apenas 10%. É uma evolução grande'', diz. Ele lembra ainda que os tratamentos atuais de câncer priorizam a qualidade de vida, ao contrário de décadas atrás, quando eram comuns as cirurgias mutilantes, que muitas vezes nem resolviam o problema.
Mas, as chamadas terapias alternativas não são indicadas por oncologistas, que prescrevem o tratamento oncológico convencional, composto por abordagens cirúrgicas, quimioterápicas e radiológicas. O alternativo nem é considerado pela classe médica, porque ainda não há pesquisas que comprovem benefícios no uso de substâncias, como, por exemplo, cartilagem, cogumelo e babosa.
Jadão explica que muitas vezes o tratamento ''alternativo'' é importante no sentido psicológico. ''O paciente não se sente abandonado''. Porém, mesmo as substâncias naturais, alerta o médico, podem trazer efeitos colaterais se usadas indevidamente ou em grandes quantidades.
Um dos tratamentos que ele costuma indicar, associado ao convencional, é o método canova, cujas pesquisas já apresentam resultados positivos. Objeto de estudo na Universidade Federal do Paraná (UFPR), a canova é uma substância homeopática que age no sistema imunológico.
Ele explica que a célula do câncer é extremamente evoluída a ponto de ser identificada pela defesa do organismo não como uma célula ruim, mas uma doente, que precisa ser alimentada. A canova ajuda uma célula chamada macrófago a identificar a célula do câncer como ruim, que precisa ser destruída. As pesquisas já apontam que a substância melhora aspectos como o apetite e a dor. Também não causa efeito colateral e tem uso autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Mas, não são todos os casos que se beneficiam do método canova. Os que podem se beneficiar, segundo o médico, são aqueles tumores ligados ao sistema imunológico, por exemplo melanomas e sarcomas. Jadão ressalta que o sistema imunológico é regido pelo humor da pessoa. ''Por isso é que sorrir faz bem para a saúde'', afirma. (Com Agência Estado)


