OMS recomenda antiviral como profilaxia
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sexta-feira, 31 de julho de 2009
Jamil Chade<BR> Agência Estado 
Genebra - A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a venda de Tamiflu continue a ocorrer apenas com orientação médica para o tratamento da gripe A (H1N1). Mas abre a possibilidade para que os países que contam com um estoque significativo do remédio e que têm recursos financeiros usem o antiviral também como profilaxia.
Ontem, a entidade apresentou uma nova orientação em termos de sintomas que devem fazer pacientes e médicos acelerarem o tratamento. Diante da possibilidade de uma deterioração rápida das condições de uma pessoa, a OMS pediu que pacientes e médicos fiquem atentos aos seguintes sintomas: falta de ar (tanto durante uma atividade física como em descanso), dificuldades para respirar, dores no peito, status mental alterado, febre alta por mais de três dias e pressão sanguínea baixa. Outros sintomas preocupantes são a cor azulada no corpo e cuspir sangue.
Na Europa e em vários países a disseminação do vírus A (H1N1) está se transformando em um desafio em termos de tratamento. Em países como o Reino Unido, já se pode comprar o remédio pelo telefone, enquanto na Suíça a caixa do antiviral é 100% reembolsada pelos seguros de saúde.
Mas para o porta-voz da OMS, Thomas Abraham, a recomendação médica ainda deve ser feita. Tanto faz como o remédio é distribuído. A questão é que um médico ainda deve recomendar, disse. Ele insiste que a principal mensagem da entidade é mesmo para que o remédio seja usado para o tratamento. Mas a situação poderia ser diferente para os países mais ricos.
Aphaluck Bhatiasevi, outra assessora da entidade, aponta que já está comprovado que o Tamiflu pode ajudar a garantir uma maior proteção, inclusive para pessoas que não foram afetadas. Se uma pessoa trabalha ou precisa conviver com alguém que está com a gripe, pode ser boa ideia que também tome o antiviral. Mas isso é apenas para países que têm um estoque suficiente ou recursos, como é o caso do Reino Unidos, disse a assessora da OMS.
Na Suíça, existem 30 milhões de tratamentos do antiviral para uma população de 7 milhões de habitantes. Já a OMS tem 5 milhões de tratamentos doados pelos fabricantes para atender 70 países pobres.
A OMS prefere insistir que a recomendação prioritária é mesmo para o uso como tratamento, temendo que haja uma corrida ao produto. Em 2010, a Roche produzirá 400 milhões de tratamentos.
Em comunicado ontem, a entidade deixou claro que o antiviral deve ser tomado assim que os primeiros sintomas aparecerem. Como os benefícios do oseltamivir (princípio ativo do Tamiflu) são maiores quando ele é dado nas primeiras 48 horas, médicos devem iniciar imediatamente o tratamento e não esperar o resultado de testes de laboratório, recomenda a OMS.
A OMS alerta ainda que um ponto surpreendente é o número de pessoas saudáveis e com menos de 50 anos que desenvolvem a doença de forma rápida, com pneumonia severa e órgãos que deixam de funcionar. A entidade não sabe porque isso ocorre.
Para as crianças, os sintomas que demonstram que os casos são grave são respiração acelerada, dificuldade para respirar, perda de atenção, dificuldade para acordar e pouca vontade de brincar. Se qualquer desses sintomas surgir, a recomendação é para que uma pessoa vá ao médico.
Segundo a OMS, a maioria das pessoas infectadas ainda desenvolvem apenas sintomas leves e se recuperam em uma semana, mesmo sem tratamento. Até agora, nenhuma mudança foi identificada no vírus.


