Rio O diretor do programa de DST/Aids da Organização Mundial da Saúde (OMS), Bernhard Schwartlander, anunciou ontem a meta de duplicar o número de pessoas atendidas por programas de tratamento da Aids na América Latina, atingindo a marca de 400 mil no prazo de três anos. Atualmente, segundo números da entidade, há 196 mil pessoas em tratamento na região 125 mil no Brasil, assistidas pelo Programa Nacional de DST e Aids.
''Os outros países da América Latina e o Caribe terão que trabalhar muito para alcançar o nível do Brasil, que tem um programa forte, iniciado num estágio precoce da epidemia. Há países em que a Aids ainda não chegou a ser incluída na agenda política, e portanto não existem os pré-requisitos para o lançamento de um programa nacional com base em recursos'', disse Schwartlander, durante reunião da entidade para discutir a expansão do acesso ao tratamento de Aids na região.
Apesar do anúncio da meta, o diretor na OMS não indicou medidas práticas para ampliar o número de assistidos. Em seu discurso, o coordenador nacional do programa de DST/Aids do Ministério da Saúde, Paulo Teixeira, cobrou uma ''ação mais contundente da parte dos organismos internacionais nas questões vitais de patentes, fundos regionais, produção local de medicamentos e controle de qualidade de genéricos''.
Teixeira disse esperar ao menos dois resultados práticos do encontro, que termina hoje: que cada governo assuma um compromisso político com a questão da Aids; e a apresentação de uma agenda de apoio por parte dos organismo internacionais. ''A atuação desses organismos, em especial da OMS, é muito tímida. Grande parte dos países depende de apoio internacional e de investimento financeiro, pois o volume que estão dedicando hoje é insignificante'', afirmou.
A OMS estima que pelo menos um milhão de pessoas estejam infectadas pelo HIV em toda a América Latina no Brasil, o Ministério da Saúde calcula que sejam 600 mil. A maioria ainda não desenvolveu a doença e nem sequer sabe que está contaminada.

mockup