OMS luta contra cigarro no cinema e TV
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terça-feira, 30 de maio de 2000
France Presse De Genebra 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu abrir uma nova frente na luta contra o fumo, protestando contra sua utilização no cinema e na televisão, por ocasião do Dia Mundial Sem Tabaco, hoje.
A OMS, que luta prioritariamente há meses contra o consumo de tabaco, que considera responsável pela morte de quatro milhões de pessoas ao ano, quer pôr no banco dos réus a indústria cinematográfica, que valoriza o consumo particularmente entre os jovens.
Aproveitando a ocasião, a OMS publicou uma lista de 38 personalidades norte-americanas do mundo do espetáculo que afirma morreram por causa do fumo, entre elas o cantor Nat King Cole, o ator Humphrey Bogart e o mito do desenho animado, Walt Disney.
Quando o tabaco é apresentado como algo atraente no cinema, na televisão ou nos videoclipes, os jovens tendem a deduzir que fumar é natural e desejável, afirma um relatório da OMS publicado às vésperas do Dia Mundial dedicado à batalha contra o fumo.
Por isso, a agência especializada da ONU propõe quatro medidas inéditas para desestimular o consumo de tabaco, especialmente entre os jovens: evitar apresentá-lo de maneira atraente, substituí-lo por outra coisa, mostrar a realidade do tabagismo e atuar em favor de uma redução global do consumo.
A OMS pede ainda uma atitude responsável dos jovens em relação ao fumo, convocando-os a se vacinar contra as mensagens em favor do tabaco e deseja que sejam organizadas campanhas de sensibilização contra o tabaco, em todos os níveis e o mais frequentemente possível.
A cada dia, entre 82.000 e 100.000 adolescentes do mundo acendem seu primeiro cigarro, constata o estudo da OMS, que denuncia o papel da indústria de entretenimento.
Os fabricantes de cigarros, que continuam gastando altas somas em publicidade, apesar das limitações e até da proibição da propaganda do fumo na maioria dos países industrializados, se esforçam em promover uma imagem de amenidade, rebelião e informalidade do tabaco.
A indústria cinematográfica usa com boa frequência o cigarro em cena como um clichê para caracterizar personagens, afirma a OMS. Quando querem indicar que um adolescente é rebelde, basta compor o personagem com um cigarro nas mãos, afirma o relatório.
A aceitação do cigarro é ainda mais evidente quando seu consumo é valorizado como método de relaxamento, de representação social ou de afirmação de independência.
A OMS estima que o tabaco seria mais facilmente combatido se sua representação cinematográfica fosse negativa, por exemplo, se ressaltasse a dependência ou as manchas que a nicotina provoca nos dentes e nos dedos.
A entidade sugere que os adolescentes escrevam aos atores para expressar sua preocupação com os que fumam nas telas, façam listas dos filmes que contenham cenas de atores que fumam e citem os nomes dos artistas falecidos por causa do tabagismo.
Para o Dia Mundial sem Tabaco, os 191 Estados-membros da OMS têm a possibilidade de organizar eventos que considerarem mais apropriados sobre o tema.


