Genebra - Um novo índice de proteção solar foi lançado ontem, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), com o objetivo de harmonizar internacionalmente a medição dos riscos de exposição aos raios ultravioleta, que provocam câncer cutâneo e cataratas.
O índice ultravioleta adotado pela OMS, que vai de 1 a 11, pretende unificar o modelo de medição, já que até agora cada país utiliza escalas de valores diferentes que, ''em algumas ocasiões, provocam certa confusão'', disse o coordenador do departamento de Radiação e Meio Ambiente da organização, Mike Repacholi.
Segundo a OMS, são registrados anualmente entre 2 e 3 milhões de casos de câncer cutâneo tais como melanomas devido à excessiva exposição aos raios de sol e cerca de 2 milhões de casos de cegueira por cataratas, como consequência de exposição ao sol sem os cuidados necessários.
O novo modelo adotado por esse órgão das Nações Unidas, apresentado há dois anos em Munique (Alemanha), considera uma radiação 1 ou 2 como baixa, entre 3 e 5 moderada, 6 e 7 elevada, entre 8 e 10 muito elevada e 11 extrema.
A OMS adverte que uma radiação igual ou superior a 3 no novo índice, registradas geralmente nas quatro horas de maior intensidade solar, ''a melhor proteção é se vestir, colocar um chapéu e óculos, passar creme na pele ou se manter na sombra'', disse Repacholi.
''Não podemos evitar que as pessoas queiram ir à praia nas horas de maior intensidade de calor, mas é preciso se proteger'', acrescentou o responsável da OMS e afirmou que ''ao contrário do que se pensa, ficar na água reduz pouco o risco de exposição aos raios ultravioleta''.
As pessoas com uma coloração de pele mais escura podem sofrer menos as consequências dos raios ultravioleta, mas tudo depende da frequência com que ficam expostas ao sol, disse Repacholi, e lembrou que o organismo humano produz melanina, uma pigmentação que protege da radiação.
O problema surge quando as pessoas que passaram vários meses sem tomar sol passam a ficar, de repente, por um longo tempo, de roupa de banho na praia em outros lugares de férias, em particular nas horas de grande intensidade de radiação ultravioleta.
Os cremes de proteção solar podem diminuir a radiação ultravioleta, ''embora certos estudos concluam que alguns não são tão efetivos como parecem'', definiu a cientista Eva Rehfuess, do programa Intersun da OMS.
Com relação aos óculos de sol, Rehfuess aconselhou que os melhores são aqueles que ''protegem totalmente o olho'' e disse que há alguns modelos com cristais pequenos que favorecem a radiação ultravioleta lateral. ''Os óculos pequenos não protegem suficientemente'', advertiram os responsáveis da OMS.
Segundo um guia publicado pela OMS para explicar os detalhes do novo índice, a respeito de certas normas básicas simples que permitiriam evitar cerca de 70 por cento dos casos de câncer cutâneo em todo o mundo, e reduzir o número de pessoas com problemas de visão pelo excesso de radiação ultravioleta.
Por outro lado, a OMS ''desaconselha totalmente'' o bronzeado artificial oferecido por alguns centros de beleza mediante a exposição de raios ultravioleta, por serem prejudiciais à saúde, especialmente para as crianças, disse Repacholi.

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