OMS identifica os dez maiores riscos para a saúde
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de outubro de 2002
France Presse 
Genebra - A Organização Mundial da Saúde (OMS) identificou os dez principais riscos para a saúde mundial, responsáveis por 40% dos 56 milhões de mortes no mundo em 2000, e propôs aos governos estratégias eficazes e baratas para enfrentá-los.
O relatório 2002 da OMS sobre a saúde no mundo, publicado ontem e intitulado ``Reduzir os riscos e promover uma vida sã``, detalha esses dez maiores riscos, que são, por ordem de gravidade: a subalimentação, a prática de sexo sem proteção, a hipertensão, o tabagismo, o álcool, a má qualidade da água, o colesterol, a fumaça de combustíveis sólidos (carvão, lenha, etc.), a carência de ferro e a obesidade.
``Pela primeira vez, o relatório revela que esses dez grandes fatores de risco são os causadores de 40% da mortalidade mundial``, disse Alan López, conselheiro científico da OMS e co-diretor do relatório. ``Isso significa que devemos nos concentrar sobre os riscos principais se quisermos aumentar em dez anos aproximadamente a esperança de vida em boa saúde e em ainda mais anos a expectativa de vida total``, acrescentou López.
Depois de três anos de pesquisas, com a participação de 120 cientistas, a OMS utilizou um novo parâmetro para estabelecer sua classificação: os anos perdidos de vida em boa saúde. Os especialistas distinguem esperança de vida total e esperança de vida em boa sa© úde. No Japão, por exemplo, a primeira é de 84,7 anos para as mulheres e 77,5 anos para os homens, mas a segunda é de 73,6 anos para os dois sexos.
A subalimentação afeta 170 milhões de crianças e causou 3,4 milhões de mortes em 2000, das quais 1,8 milhão na África.
O tabaco causou mais mortes em 2000: 4,9 milhões. Mas a subalimentação encabeça a lista de principais riscos, já que é responsável pela maior perda de anos de vida em boa saúde, com 9,5% do total mundial, à frente do sexo sem proteção (6,3%), hipertensão (4,4%), tabaco (4,1%) e do álcool (4%).
Mas, evidentemente, os riscos variam de uma região a outra. A subalimentação e o sexo sem proteção são os maiores males em grande parte da África, enquanto o tabagismo e a hipertensão afetam mais a América do Norte, Europa e Japão.
Contra a subalimentação, a OMS recomenda o fornecimento de micronutrientes e de alimentos enriquecidos em vitamina A, zinco e ferro, e o incentivo à amamentação. Contra o tabagismo, recomenda o aumento dos impostos e a proibição da publicidade do tabaco.
``A intervenção dos governos é absolutamente indispensável, em particular em matéria de alimentação, de tabaco e de álcool``, estimou David Evans, funcionário da OMS encarregado das políticas de saúde.
Para diminuir o risco de doenças cardiovasculares, os governos deveriam incentivar os empresários a reduzir o conteúdo de sal e de gordura nos alimentos transformados, e incentivar a população a não fumar, a fazer mais atividade física e a consumir mais frutas e hortaliças.


