OMS e ONU negociam remédios para países pobres
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quarta-feira, 06 de maio de 2009
Jamil Chade<br> Folhapress 
Genebra- Com o número de casos beirando os 2 mil, Organização Mundial da Saúde (OMS) e ONU negociam um pacote internacional para lidar com o vírus A (H1N1) e garantir remédios aos países mais pobres. O acordo vai incluir um plano para fabricar vacinas, acesso a antivirais, fortalecimento de sistemas de saúde, financiamento para países pobres e entendimento sobre patentes. O Brasil quer a garantia de que novas vacinas produzidas não serão patenteadas.
Países ricos correm para encomendar vacinas que nem existem, o que pode fazer com que falte remédio para os demais. Ontem, a OMS anunciou uma reunião entre empresas em Genebra, na semana que vem, para superar um dilema: abandonar ou não a produção de vacinas para a gripe sazonal para permitir a do novo vírus.
A OMS afirma que o Instituto Butantã fará parte do acordo para a produção de vacinas. A entidade se deu conta de que precisará dos brasileiros. Em duas semanas, uma reunião com países doadores, Banco Mundial e empresas será feita.
Se a gripe suína se transformar em pandemia, as empresas terão de fazer uma nova vacina. Elas vão receber amostras do vírus até o fim do mês. A OMS hesita por causa do alto número de vítimas que a gripe sazonal faz. A entidade, porém, está sendo pressionada a decidir, pois uma nova vacina levaria de 4 a 6 meses para ser feita.
Se o vírus se espalhar pelo Hemisfério Sul no inverno, uma demora em chegar a um acordo pode deixar milhões sem proteção. A última pandemia, de 1968, matou 1 milhão. As vacinas chegaram tarde demais.
Mas se o novo vírus for suave e as empresas estiverem produzindo vacinas só para ele a OMS será criticada por deixar faltar vacinas para a gripe sazonal. Keiji Fukuda, vice-diretor da OMS, admitiu que não há como garantir vacinas para todo o mundo.


