A Organização Mundial da Saúde (OMS) pode ajudar o Brasil a lutar contra futuras epidemias de dengue, colaborando com a construção de um modelo de combate à doença que vai reunir diagnóstico, tratamento e pesquisas de novas drogas. O plano é do coordenador do Programa Especial de Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais (TDR) da OMS, Janis Lazdins, que chegou ao Rio de Janeiro há duas semanas para discutir acordos com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e com o governo brasileiro.

O TDR é um órgão que desenha programas para o combate de doenças que atacam principalmente países pobres e que, por isso, foram ''esquecidas'' pela indústria farmacêutica, entre elas a doença de Chagas, a malária, a hanseníase, dengue etc. ''Desenvolvemos drogas para atacar males que não chamam a atenção de mais ninguém. E um exemplo disso é que, para algumas doenças, as drogas mais recentes têm mais de 25 anos'', explica Lazdins.

Para isso, o TDR patrocina pesquisas em países em desenvolvimento com o uso de estrutura pública de pesquisa, mas tentando estimular a parceria com empresas privadas. ''O problema com os laboratórios é que eles não sabem que podem participar de uma pesquisa de uma doença, como a de Chagas, sem precisar bancar todo o processo.'' O TDR funciona, então, como uma agência de fomento de pesquisa. Além de financiar projetos, ela também tenta aproveitar a especialização de institutos de pesquisa de todo o mundo para formar uma rede de conhecimento. Para a dengue, por exemplo, o programa poderá usar no Brasil experiências da Tailândia.

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