OMS: Brasil teve presença marcante
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sábado, 19 de maio de 2001
Agência EstadoDe Genebra 
A presença brasileira na Assembléia Mundial da Saúde que acontece em Genebra foi marcante, já que as três propostas do País acabaram sendo aceitas, mesmo tendo duas delas sofrido modificações. A opinião é do médico João Yunes, diretor da Faculdade de Saúde Pública da USP, membro do Conselho Executivo da OMS e chefe da delegação brasileira na Assembléia.
O Brasil disse Yunes foi o único país com propostas de resoluções em temas fundamentais para a saúde pública, tendo conseguido obter o apoio da União Européia e, finalmente, aprovação pelos outros países. O prolongamento do aleitamento materno exclusivo para seis meses foi uma importante vitória, conseguida por unanimidade, num setor considerado, durante anos, como tabu.
Para ele, a segunda vitória foi a decisão do Brasil de apresentar uma proposta de resolução na discussão sobre a Aids. Isso porque, já no dia 25 de junho, vai haver o debate, na ONU, para se constituir um Fundo de combate à Aids e o Brasil achou muito oportuno que a OMS fosse a esse encontro com uma proposta.
Apesar das reações de diversos países, e Yunes cita especialmente os EUA, com seu interesse em não mexer nos preços dos remédios que o Brasil queria democratizar, o Brasil conseguiu o apoio dos países em desenvolvimento e uma parceria da União Européia. Isso porque essa proposta garantia o acesso aos remédios das populações com Aids. E, foi depois reforçada com medidas de prevenção.
Tivemos de ceder em algumas coisas, diz Yunes, mas a proposta foi aprovada. Isso mostra que hoje o Brasil está preocupado também com a saúde mundial. E, como acentuou o ministro Serra, o Brasil quer diminuir o preço dos remédios.
A terceira proposta, a da estratégia dos remédios, aprovada por comissão no fim da tarde de sexta, teve negociações com a União Européia depois de dificuldades com os EUA. Trata-se da proposta sobre a prioridade dos genéricos, sobre a garantia dos remédios essenciais para a população e para se estimular uma produção nacional.
João Yunes não considera uma derrota não ter sido incorporado às propostas o banco de dados de preços de remédios e o preço diferenciado, propostas também defendidas pelo Brasil. Isso não impede que se estimule os países a criarem seus próprios bancos de informações, com as facilidades permitidas pela Internet, diz ele.
A Assembléia Mundial da Saúde termina no próximo dia 22.


