OMS aprova remédio contra a leishmaniose visceral
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segunda-feira, 17 de junho de 2002
Agência Efe 
Genebra - A Organização Mundial da Saúde (OMS) apresentou ontem, segunda-feira, um novo medicamento contra a leishmaniose visceral doença que mata cerca de 60.000 pessoas por ano muito mais barato e simples que os atuais e que curou 95 por cento dos pacientes em que foi testado.
O princípio ativo, a miltefosina, foi desenvolvido inicialmente para combater o câncer de mama, mas um cientista descobriu que exercia efeitos positivos contra a leishmaniose se fosse administrado por via oral.
Após seis anos de análises clínicas, quando a média de desenvolvimento de um novo remédio é o dobro, foi possível estabelecer com clareza que este medicamento é capaz de curar 95 por cento dos pacientes que o tomam.
Até agora, todos os tratamentos conhecidos contra essa infecção, da qual se registram por ano 500 mil novos casos, obrigavam a hospitalização dos pacientes, provocavam sérios efeitos colaterais, além de serem muito caros.
A miltefosina é administrada por via oral, não exige internação e causa efeitos colaterais mais simples, como vômitos por poucos dias.
Embora seu preço ainda não esteja fixado, calcula-se que o tratamento completo deve custar entre 400 e 500 dólares, ou seja, oito a nove vezes menos que qualquer remédio atual para essa doença.
As autoridades indianas, país onde se registram 50 por cento dos casos da doença, homologaram a miltefosina em março deste ano.
Além da Índia, Bangladesh, Brasil, Nepal e Sudão, também registram a maioria dos casos desta doença no mundo. Contudo, o problema está presente em 88 países com 350 milhões de pessoas ameaçadas.
Este novo remédio foi desenvolvido por meio de pesquisas realizadas pelo Governo indiano, o laboratório alemão Zentaris, o programa de pesquisa sobre doenças infecciosas da OMS (TDR), o Banco Mundial e o Programa da ONU para o Desenvolvimento.
O responsável do TDR, Carlos Morel, destacou a importância da colaboração entre os setores público e privado para desenvolver este remédio e, especialmente, os esforços do Governo da Índia, que pretende erradicar esta doença até o ano 2010.
Morel destacou que a leishmaniose atinge principalmente as populações mais pobres, que constituem 80 por cento dos pacientes, fazendo com que as autoridades não dêem a devida atenção ao problema.
A leishmaniose é uma doença parasitária transmitida pela picada de um pequeno inseto, o phlebotome, e que na sua forma mais grave, a visceral, ataca o fígado e o baço, provocando surtos irregulares de febre e uma grave perda de peso.
Nos países em desenvolvimento, onde os pacientes apresentam ao mesmo tempo desnutrição e deficiência imunológica, a doença pode matar se não for aplicado o tratamento adequado.


