Curitiba- Para cada caso registrado de violência contra crianças ou adolescentes, outros 20 acontecem na clandestinidade. A estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) pode ser justificada por outro dado estatístico: 65% dos casos acontecem em casa, onde o agressor é um familiar da vítima. Ao lembrar do Dia Nacional de Combate à Violência e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, profissionais dedicados ao assunto apontam a omissão como um dos principais entraves para reverter os números.
Nos últimos dois anos, o disque-denúncia mantido pela Secretaria Nacional dos Direitos Humanos recebeu perto de 10 mil ligações, 450 delas originárias do Paraná. Foram registrados, no Estado, 211 casos de maus-tratos, 156 de abuso sexual e 83 de exploração sexual entre crianças e adolescentes. Considerando a proporção estimada pela OMS, teriam ocorrido no Paraná, pelo menos, 9 mil casos de violência.
Para o coordenador do Centro de Apoio Operacional às Promotorias da Criança e do Adolescente, Olympio de Sá Sotto Maior Neto, a omissão traz duas consequências desastrosas: de um lado, a impunidade do agressor, e de outro produz, em uma pessoa que está em desenvolvimento, sequelas, que podem ser irreversíveis. ''É fundamental que a sociedade reflita sobre a necessidade de acudir, de salvar essas crianças que estão sendo vítimas da violência'', alertou.
Desde o ano passado, o centro mantém convênio com a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, para receber as denúncias de violência que acontecem no Paraná. Segundo o procurador de Justiça, os casos são encaminhados para as promotorias das comarcas onde ocorreram para solicitação de abertura de inquérito policial e oferecimento de denúncia, quando os indícios são confirmados, além da adoção de medidas de proteção à criança e adolescentes.
Um exemplo real da subnotificação pode ser observado no balanço de atendimento do Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba. Em 2004, a instituição recebeu 241 crianças, quase 100 a menos em relação ao ano anterior. No ano passado, 165 dos pacientes foram vítimas de abuso sexual, 39 sofreram agressão física, 23 psicológica e 14 foram vítimas de negligência.

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