Omissão dentro de casa é uma das dificuldades
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de maio de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
O combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes em Londrina
esbarra em problemas que vão da falta de consciência entre a população à insuficiência de ações públicas, passando pelo despreparo de profissionais que lidam com menores. Nesse contexto, foi aberta ontem a 3 Semana Municipal de Enfrentamento ao Abuso e Exploração Sexual Infanto-Juvenil, que prossegue até sexta-feira com campanhas informativas, debates e oficinas.
Os números relativos ao tema disponíveis em Londrina vêm do Programa Sentinela, ligado à Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS). Desde sua criação, em janeiro de 2002, o programa registrou 340 casos. Atualmente, 115 vítimas são atendidas, além de 11 agressores (também menores). O Conselho Tutelar de Londrina ainda não fechou levantamento parcial deste ano. Os dados, contudo, não representam a totalidade dos casos de abuso e exploração sexual na cidade, pois é sabido que grande parte das ocorrências não chega ao conhecimento dos órgãos públicos.
Superar a subnotificação dos casos é um dos principais objetivos das campanhas municipais. De acordo com a coordenadora interina do Sentinela, Sílvia Cavalcante Vicentine, não raro a omissão começa dentro do lar - local onde, segundo ela, se passa a maioria dos casos de abuso sexual contra crianças. ''Às vezes, quando o pai é o agressor, a mãe nota mas não quer admitir. Ou porque ela é muito dependente do parceiro, ou mesmo por ver a filha como uma concorrente. Com isso, a mãe está ensinando à criança que ela não é importante, tornando-a, mais tarde, um adulto inseguro ou até delinquente'', alerta.
A coordenadora defende que as pessoas próximas às crianças - parentes, amigos, vizinhos, professores, entre outros - estejam atentas a sinais observáveis nas possíveis vítimas. ''Elas sempre apresentam alguma mudança de comportamento, que varia de uma para outra. Podem ficar mais agressivas, mais choronas, retraídas ou extrovertidas demais, além de apresentarem masturbação excessiva ou interesse exagerado por sexo'', indica.
O problema é que o despreparo para reconhecer e lidar com as vítimas de abuso também está presente entre os profissionais de saúde, como afirma Sílvia. ''Dizer que eles estão preparados é muito genérico. Ainda não temos um programa de capacitação nesse sentido em Londrina. Mas os hospitais têm se articulado e nos encaminhado muitas denúncias'', assinala.
O secretário municipal de Saúde, Sílvio Fernandes, acredita que a própria formação dos profissionais da pediatria garante o atendimento adequado. ''Eles são aptos a identificar maus-tratos e seguem uma rotina de procedimentos'', alega.
Serviço:
Telefones para denúncia:
Programa Sentinela - (43) 3336-2003
Conselho Tutelar - 1407


