Omissão causou tragédia, afirmam promotores
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segunda-feira, 27 de dezembro de 1999
Por Rosa Bastos 
São Paulo, 27 (AE) - Para os promotores da Infância e Juventude Wilson Tafner e Ebenezer Soares, que fizeram uma vistoria no cadeião de Santo André depois da rebelião, o que houve hoje foi uma "tragédia anunciada por causa da omissão do governo". Na visita desta segunda-feira eles constataram que nada mudou desde que, no dia 17, entraram com ação pedindo à juíza Mônica Ribeiro Pauskoski a relação dos jovens do cadeião por causa das graves irregularidades encontradas. A juíza, diretora do Departamento de Execuções da Infância e Juventude e corregedora da Febem, concedeu liminar para que, em 30 dias, fossem removidos todos os jovens.
Segundo as denúncias, os jovens ficam trancados nas celas, em confinamento carcerário; não têm atividades educacionais ou pedagógicas, faltam funcionários e atendimento adequado; há casos de espancamento desde a chegada. De acordo com Tafner, tudo isso foi constatado por três juízes, pelo Conselho Tutelar, Ministério Público, Procuradoria de Assistência Judiciária e por técnicos do Judiciário. "Mas, infelizmente, nesse período o governo não supriu a falta de atendimento e isso, somado à contenção ilegal, resultou nessa tragédia anunciada", disse. "Não foi por falta de aviso: tudo está nos laudos e o governo foi sempre alertado, porém, as medidas não foram tomadas com a urgência que o caso requeria."
Hoje os promotores encontraram 264 jovens confinados numa única cela, com a Tropa de Choque fazendo a escolta, enquanto eram limpas três outras alas que vinham sendo ocupadas pelos menores. Alguns jovens, identificados por funcionários e policiais como autores de homicídios e de tentativas de assassinato, foram depor no 4.º Distrito Policial de Santo André
que fica ao lado do cadeião. Há 15 suspeitos, entre maiores de 18 anos e adolescentes. Seis foram interrogados hoje mesmo.


