Seattle, 01 (AE) - Até o meio-dia de hoje, a polícia de Seattle já havia prendido 250 manifestantes e finalmente conseguira isolar completamente o Centro de Convenções de Seattle, o Hotel Sheraton e outros edifícios onde a 3ª Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) está acontecendo, permitindo assim a livre circulação de delegados e da imprensa. Ainda pela manhã, o governador Garry Locke, do Estado de Washington, e o prefeito Paul Schell, de Seattle, que ficaram furiosos com a perda de controle da situação na terça-feira, solicitaram mais tropas da Guarda Nacional, que já havia enviado 200 homens na noite anterior, para garantir o cumprimento do toque de recolher.
Mesmo assim, os policiais tiveram muito trabalho durante a noite com manifestantes e arruaceiros que insistiram em permanecer na área, queimando latas de lixo e quiosques de jornal, quebrando vitrines e até furtando mercadorias. O número de presas na terça-feira, porém, não passou de 40.
No Hotel Sheraton, onde funciona o credenciamento de imprensa e delegados, e onde são realizados alguns seminários paralelos ao evento principal, havia salas com camas improvisadas, onde policiais tinham passado a noite. Na manhã de hoje, enfim, era possível circular por uma grande área em torno do hotel e do centro de convenções, mas só quem estava credenciado conseguia passar pelo vasto cordão de isolamento formado pelas tropas de choque, que protegia essa região da cidade. Do lado de fora do cordão, a maioria dos manifestantes fora concentrada pela polícia na Sexta rua, onde gritavam seus slogans pacificamente.
Em outros pontos da cidade havia pequenos grupos de manifestantes, como junto à Rodovia 5, que atravessa Seattle. A intenção dos manifestantes era o fechamento da rodovia, mas a polícia conseguiu impedi-los.
A norma, hoje, era prender qualquer pessoa que se opusesse à dispersão de multidões, o que não era possível na terça-feira, quando até guardas de trânsito foram usados para ajudar a manter um cordão de proteção a delegados e imprensa, que eram sistematicamente agredidos pelos manifestantes.
O presidente norte-americano, Bill Clinton, iniciou pontualmente às 12h45 o seu discurso, sem enfrentar nenhum problema no caminho entre o Westin Hotel - onde se hospedou desde a 1 da manhã, quando chegou a Seattle - e o Centro de Convenções. Três redes de televisão de Seattle cobriram as manifestações ao vivo, mas, tanto entre os comentaristas de televisão como entre delegados e observadores da conferência, não há muita clareza sobre os objetivos do protesto.
Sem rumo - A palavra de ordem comum a todos é "abaixo a OMC" e "abaixo a globalização". Quando instado a elaborar, porém, cada manifestante tem uma reivindicação diferente: uns querem proteger as tartarugas marinhas das redes de pesca japonesas, outros querem salvar seus empregos na indústria do aço e há, ainda, quem esteja ali apenas para se divertir.
Esse é o caso de milhares de estudantes secundaristas, dispensados da escola na na terça-feira (porque não havia condições para os ônibus escolares circularem, em decorrência das manifestações). Hoje muitos desses estudantes secundaristas faltaram às aulas em busca de mais aventuras nas ruas centrais de Seattle.

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