Ombudsman começa a ganhar terreno e autoridade na Europa Do correspondente Gilles Lapouge13/Mar, 12:29 Paris, 13 (AE) - O ombudsman (mediador), que existe na Suécia desde 1809, na Dinamarca desde 1974, na Espanha desde 1978, ganha terreno, e sobretudo autoridade. Em toda a Europa. Na França o mediador foi criado em 1973, mas só vem sendo levado a sério há um ou dois anos. A prestação de contas, enviada agora pelo "mediador" francês é eloquente: em 1999, o mediador recebeu 51 mil reclamações , portanto 12% mais do que em 1998. E 87% das "mediações" tiveram uma acolhida favorável ao usuário que apresentou a queixa. Este aumento dos recursos ao mediador tem sentido. É um dos sinais discretos - frequentemente relegados ao silêncio - que nos permitem tomar consciência das transformações em profundidade e a longo prazo, de uma sociedade. O título diz a função e o dever do "mediador": ele está aberto e acessível a qualquer pessoa que se sinta objeto de uma negação da justiça, de uma anomalia, depois que todos os recursos ordinários foram utilizados sem resultado. Nesse momento, se vocês estiverem desesperados, ainda lhes resta um derradeiro recurso: encarregar o mediador de analisar o seu caso. Quais são as queixas recebidas pelo mediador? Tolices administrativas, obstinações de pequenos funcionários vaidosos, mas também , as zonas vagas, indefinidas, brumosas, dos regulamentos ou das leis. Um exemplo: um eletricista sofreu dois graves acidentes de trabalho. Na primeira vez, perdeu um olho quando montava uma armação metálica. Depois de curado, voltou a trabalhar. Um segundo acidente e ele perde o outro olho.A administração reconhece que se trata de um acidente de trabalho, mas concede-lhe apenas 70% de ajuda por invalidez e não 100%. Porquê? Porque, em virtude de um regulamento obsoleto encontrado por um funcionário perverso, para ter direito a 100%, seria preciso que ele tivesse ficado cego dos dois olhos num mesmo acidente! Que os dois olhos fossem arrancados de um só golpe! Aí está um caso em que o "mediador" conseguiu fazer triunfar, não apenas a justiça e a humanidade, mas o simples bom senso. O papel ampliado do "mediador"nos permite fazer um julgamento a respeito da sociedade. Esta é cada vez mais anônima opaca, complicada, rígida, implacável e glacial. O "mediador" tem portanto como primeira missão,infundir "o calor": entre todos os "monstros frios" que administram nossa vida cotidiana (polícia, órgãos de vigilância, instituições civis, guichês, fichas, carteiras, etc...) pesava cada vez mais, ano após ano, um silêncio sepulcral. Todo indivíduo é prisioneiro de sua solidão e da indiferença, da cegueira, dessas engrenagens coletivas. O "mediador" é em primeiro lugar aquele que permite quebrar este silêncio e conjurar estas solidões. Emfim, alguém que escuta as pessoas! Mas, sem dúvida, existe outra explicação: outrora, o cidadão era dócil submisso. Tinha uma confiança cega ou resignada, justificada ou não, no Estado, na justiça, na equidade dos funcionários. Esta confiança desapareceu. Em toda a parte,as pessoas se mobilizam diante dos poderes exorbitantes dos detentores da autoridade, diante destes pequenos burocratas grisalhos que se empoleiram como galos sobre a pequena parcela de poder que têm nas mãos. E assim vemos profilerar movimentos cooperativos, associativos, grupos de pressão, jornais de consumidores, etc.. E um país "de ponta", como os Estados Unidos, já passou a um estágio superior. com "a inflação processual" que faz a fortuna dos advogados. Tudo faz pensar que as funções do "ombudsman", do mediador, se multiplicarão no futuro, proporcionalmente aos meios de coerção crescentes das sociedades. Num mundo automatizado, mecânico e insensível, o mediador ocupa uma das raras zonas onde o indivíduo pode ainda fazer ouvir sua voz. Tudo nos leva a crer que a "mediação" - quer a nível da nação, quer a nível da empresa, da escola, da cidade ou da região - tem belos dias pela frente.

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