Porto Alegre, 17 (AE) - O governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), disse hoje que as retaliações da União aos Estados devem ser debatidas com o presidente Fernando Henrique Cardoso. "Nenhum Estado merece retaliação de qualquer espécie por parte do governo federal. Este é um tema para colocarmos de viva voz e de corpo presente ao presidente nas reuniões que vierem a ocorrer", apontou. A União suspendeu repasses a Minas Gerais e disse a organismos internacionais de financiamento que o Rio Grande do Sul está inadimplente com o pagamento de sua dívida.
Olívio afirmou que o presidente recebeu as reivindicações da frente de governadores de oposição, que redigiu a "Carta de Porto Alegre" no dia 5. "A carta já foi apresentada na nossa reunião com os ministros, que representavam o presidente, com um ofício endereçado a ele", afirmou. "A carta está nas mãos do presidente", completou, respondendo a uma pergunta sobre as críticas do colega Itamar Franco (PMDB), de Minas Gerais. Itamar perguntou o que deveria fazer com o documento, já que ele estaria sendo descumprido, pois os governadores concordam em encontrar o presidente sem exigir uma pauta.
O governador gaúcho não confirma presença na reunião com Fernando Henrique sem antes conhecer previamente os itens em debate, ao contrário de Itamar, que só concorda em participar da reunião se o fim das sanções e a dívida estiverem em pauta.
Ainda esperando por um convite "oficial" para o encontro, Olívio afirmou que quando ele chegar, será analisado. "Queremos ver a pauta, que deve estar centrada na relação dos entes federados com o governo federal e o centro disso é a dívida pública." Olívio concedeu entrevista pouco depois de entregar sua mensagem de saudação aos deputados estaduais, no começo do ano legislativo. Na mensagem, o governador pediu o apoio dos parlamentares para não atuar "unicamente em função da macropolítica econômica do governo federal" e reconheceu que a oposição tem maioria no Legislativo gaúcho. Os partidos adversários somam 35 votos entre 55 deputados, um fato que Olívio disse encarar "com traquilidade".

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