Porto Alegre, 08 (AE) - O governador gaúcho Olívio Dutra (PT) classificou de "modestíssimos" os resultados obtidos pelo Rio Grande do Sul depois da reunião dos governadores com o presidente Fernando Henrique Cardoso, no início de março. "As retaliações contra o Rio Grande persistem", notou o governador hoje. Ele viajaria no começo da noite para Brasília, de onde seguiria para Maceió. Na capital de Alagoas, os governadores de oposição farão um reexame da situação de cada Estado. Depois, segundo Olívio, o grupo poderá apresentar uma posição conjunta perante o Planalto.
Insatisfeito, Olívio reparou que, um mês depois do encontro com FHC, "os bloqueios de contas continuam". As represálias são motivadas pela iniciativa do Estado de depositar em juízo os valores devidos ao governo federal. O Rio Grande do Sul quer reduzir o percentual de 12,5% da receita líquida, hoje comprometidos com o pagamento das prestações fixadas pela renegociação da dívida com a União. Até hoje, foram retidos R$ 75 milhões de repasses ao tesouro estadual.
O governador deseja a suspensão das retaliações e um encontro de contas com o governo federal. "Nosso levantamento indicou créditos a receber da União no valor de R$ 8 bilhões", relembrou o secretário da Fazenda/RS, Arno Augustin. O total da dívida refinanciado com a União soma R$ 10,5 bilhões. De acordo com o atual governo, a dívida gaúcha triplicou de 1994 a 1998, embora o ex-governador Antonio Britto (PMDB) tenha vendido R$ 5 bilhões de patrimônio público. O deputado estadual Cézar Busatto (PMDB), secretário da Fazenda na administração anterior, já declarou que Britto recebeu o Estado com uma dívida de R$ 4,8 bilhões, entregando-a, segundo ele, com R$ 10,5 bilhões.
Olívio tem um encontro agendado com a bancada federal do PT na manhã desta sexta-feira, em Brasília. O tema será o pacto federativo. À tarde, viajará para Maceió. Ele não confirmou presença na reunião de governadores marcada para Aracaju/SE, na segunda-feira.

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