Porto Alegre, 07 (AE) - O governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), defendeu hoje a troca de 50% da dívida dos Estados com a União por um programa conjunto de combate ao desemprego. "Porque o governo (federal) não estabelece uma forma para que 50% da dívida com a União fique nos Estados para executar políticas de geração de emprego e renda e programas de qualificação de mão-de-obra? ", indagou. Amanhã (08), ele estará reunido com os governadores de oposição, em Brasília, para discutir a relação com o Palácio do Planalto. Olívio disse que, com tais recursos, os Estados poderiam aprofundar o combate ao desemprego com "menor custo e mais eficiência".
A proposta, que consta da Declaração do Rio de Janeiro, assinada no dia 17 de maio, será também apresentada aos governadores de situação. "Estamos apresentando a todos os governadores a idéia de se reunirem para fazer uma avaliação das medidas que o governo (federal) anunciou como salvadoras e que não salvaram coisa nenhuma", acentuou. "Os Estados vão de mal a pior." Segundo ele, as dificuldades atingem também os governos dos partidos que integram a base de sustentação do Executivo no Congresso. "Eles tem uma relação com o governo federal que não permite que digam que estão mal. Estão mal e, em alguns casos, até pior do que outros Estados", reparou.
Ele conversou com Roseana Sarney, do Maranhão, e Albano Franco, do Sergipe, sugerindo um futuro encontro de todos os governadores "para avaliar o quadro da relação federada, discutir a reforma tributária e as medidas tomadas pela União".
Em Brasília, Olívio participará, nesta terça-feira, da reunião dos governadores de oposição, mais a Frente Nacional de Prefeitos, Confederação Nacional dos Municípios e do Conselho Brasileiro de Integração Municipalista. O grupo discutirá reforma tributária, Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) e Lei Kandir. Outros temas serão os cortes na área social, a lei de Responsabilidade Fiscal, proposta de política de geração de emprego e renda e reforma política.
Olívio pretende ainda uma audiência com o presidente da Câmara, Michel Temer, para pedir-lhe que o Legislativo vote dois projetos que tratam de alterações na Lei Kandir. Em entrevista coletiva, pouco antes de viajar para Brasília, negou as afirmativas do ex-governador Antonio Britto (PMDB), que o acusou de "governar com ódio". Para ele, "uma opinião dessas não é uma opinião refletida e serena". Garantiu que está governando "com paciência, serenidade e firmeza".

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