Olívio pede mediação de Covas para não isolar Itamar
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 1999
Por Vera Rosa 
São Paulo, 12 (AE) - O governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), pediu hoje a mediação do colega de São Paulo, Mário Covas (PSDB), para superar o confronto que tem marcado o relacionamento entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e governadores de partidos de oposição. O esforço petista para atrair Covas já havia sido iniciado na noite de quinta-feira, quando o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, esteve no Palácio dos Bandeirantes, acompanhado do deputado federal Antônio Palocci (PT-SP).
Enquanto Lula conversava com Covas, Olívio falava com o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB). Depois de ter feito escala em Belo Horizonte, o governador gaúcho desembarcou em São Paulo e chegou ao Bandeirantes às 11h40. "O governo federal não tem de nos tratar como governadores de oposição", afirmou Olívio. "Queremos estabelecer uma relação de respeito, que é suprapartidária, compatibilizando as necessidades da União com a dos Estados, de executar políticas públicas."
Lula e Olívio iniciaram uma operação para evitar o isolamento político de Itamar, que está numa queda-de-braço com Fernando Henrique. A idéia de conversar com Covas já havia sido aprovada há uma semana, no encontro de Porto Alegre, que reuniu os sete governadores do bloco de oposição, entre eles Itamar. Depois daquela reunião, no entanto, as relações entre o governador mineiro e o presidente só pioraram.
O governador gaúcho saiu do encontro com Covas, hoje, convencido de que deve participar da reunião convocada pelo presidente, no dia 26, com todos os chefes de Estado. Mas recusou-se a revelar publicamente essa decisão, alegando ainda não ter sido convidado.
"Primeiro, tem de haver a descontração, porque o meio-de-campo não pode estar tumultuado com medidas retaliativas por parte da União", disse Olívio, referindo-se a bloqueios de repasse de verba. O vice-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que também participou da reunião no Bandeirantes, concordou: "É preciso uma distensão do ponto de vista político, para superar as dificuldades, que não são apenas econômicas."
Apesar de rejeitar o termo interlocutor para definir o papel de Covas, Olívio admitiu que tem conversado com o tucano, por telefone, "para refletir sobre uma realidade que precisa de uma solução". Para o governador gaúcho, esse entendimento não se resume à renegociação das dívidas dos Estados com a União - uma reivindicação que não conta com o apoio de Covas.
Olívio disse que ele e o governador de São Paulo estão empenhados na construção de uma alternativa que resgate o pacto federativo. "Não é uma questão de oposição ou situação", sustentou. "Todos os Estados estão sofrendo com essa relação descarrilada entre as unidades federativas e o governo federal." Ele citou como exemplo de "distorção" nesse pacto uma cláusula do acordo para pagamento da dívida do Rio Grande do Sul com o Planalto, na qual está embutida a privatização do Banrisul. "Isso fere a nossa autonomia", argumentou.
Covas reiterou a Olívio que, não fosse a renegociação das dívidas feita na gestão passada, com juros mais baixos e prazo de 30 anos para pagar, o quadro estaria muito pior. Expôs ao petista a situação de São Paulo, que paga à União cerca de R$ 250 milhões por mês - quantia que, somada à queda de arrecadação dos últimos quatro meses, provocou o atraso no pagamento dos fornecedores do Estado. Os secretários da Fazenda do Rio Grande do Sul, Arno Augustin, e de São Paulo, Yoshiaki Nakano, participaram da reunião, e debruçaram-se sobre os números.
"Eu e o governador Covas temos um entendimento parecido, porque não nos negamos a pagar a dívida, mesmo que ela tenha crescido, e até triplicado, em razão dos juros altos", observou Olívio. O Rio Grande do Sul, que tem uma dívida de R$ 17 bilhões
está pagando as prestações em juízo desde o mês passado. Na segunda-feira, quando vence a segunda parcela do débito, o Estado oferecerá 19 imóveis como caução, por falta de recursos.


