Porto Alegre, 23 (AE) - O governo gaúcho acusa a gestão anterior - de Antônio Britto (PMDB) - de ter contratado R$ 1,2 bilhão em estradas e destinar apenas R$ 180 milhões no orçamento deste ano para a execução das obras. Para o vice-governador do Estado, Miguel Rossetto, o desencontro mostra que Britto anunciou "estradas de papel".
Rossetto afirmou que 143 licitações do programa batizado de "Asfalto para todos" - difundido durante a campanha eleitoral de Britto - tinham o valor "simbólico" de R$ 5 mil. O governo decidiu auditar os documentos e vai pedir a anulação daqueles considerados ilegais. O cronograma das obras de asfaltamento exigia destinação de R$ 255 milhões este ano, mas apenas R$ 10 milhões foram destinados, segundo anunciado hoje.
O governo decidiu alterar também a forma de administrar o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER), que teve seus serviços, inclusive de fiscalização, terceirizados. A tarefa atualmente é feita por construtoras, mas deverá ser recuperada pelo DAER.
Esta foi a segunda acusação de Olívio contra a administração anterior. Na primeira, o governo gaúcho decidiu mover uma ação contra a A.G. Simpson e a Usiminas por causa de um empréstimo ilegal realizado na administração Britto.
A A.G. Simpson e a Usiminas formaram uma associação que deveria fornecer peças de estamparia à fábrica da General Motors do Brasil (GMB) no Estado. A companhia sacou R$ 17,138 milhões de sua conta no Banco do Estado (Banrisul) depois de ter sido descredenciada do projeto pela montadora, quando não teria mais direito a receber os recursos. O dinheiro seria emprestado pelo governo como parte dos incentivos ao complexo automotivo que está sendo construído em Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre.
SIGILO BANCáRIO - A ação judicial do Estado teve desdobramentos hoje. Em resposta a um pedido de liminar, o juiz Eduardo Uhlein, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre, autorizou o arresto de recursos em todas as aplicações financeiras da empresa no Estado. Se na busca não forem reunidos os R$ 17,138 milhões, o Banco Central será oficiado para quebrar o sigilo bancário da A.G. Simpson Usiminas e procurar o valor em qualquer conta da empresa no Brasil. O coordenador da procuradoria de probidade administrativa, Igor Moreira, disse que, na prática, "está autorizada a quebra de sigilo bancário da A.G. Simpson Usiminas".

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